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A política de deportação de Donald Trump contra imigrantes pode custar US$ 479 bilhões em impostos aos EUA. Foto: AFP

Deportação de imigrantes pode fazer EUA perderem US$ 479 bilhões em impostos

Insegurança de deportação afasta imigrantes do sistema tributário dos EUA e ameaça arrecadação de impostos

A repressão imigratória da Administração Trump, que resultou na deportação de centenas de imigrantes irregulares nos EUA, pode acarretar quase meio trilhão de dólares em prejuízo ao longo dos próximos 10 anos, conforme uma medida proposta de compartilhamento de dados entre a IRS – órgão americano semelhante à Receita Federal – e autoridades imigratórias transforma o pagamento normal de impostos em em algo arriscado para imigrantes irregulares.

No ano passado, a IRS firmou um acordo para compartilhar nomes e endereços de imigrantes sem documentos com o Departamento de Segurança Interna, órgão responsável pelo ICE. Apesar de um juiz federal ter suspendido o compartilhamento de dados em novembro e depois considerar o acordo ilegal, muitas pessoas ainda temem que o governo repasse suas informações ao ICE.

Analistas da Universidade de Yale estimam que essa medida, juntamente com o medo crescente entre imigrantes irregulares, pode resultar em até US$ 479 bilhões em prejuízo de impostos não arrecadados ao longo dos próximos 10 anos. Especialmente à luz da remoção de benefícios de isenção de impostos para pais imigrantes. O que, desse modo, reduz ainda mais o incentivo a arriscar-se a declarar impostos.

O programa federal americano de crédito tributário infantil deixou de conceder benefícios e reembolsos a esses pais, mesmo com filhos cidadãos americanos nascidos nos EUA. Esse programa normalmente gera milhares de dólares em economias e reembolsos.

Desconfiança

Imigrantes irregulares, por mais que não tenham permissão formal para trabalhar legalmente nos EUA, ainda têm que pagar impostos pela lei, e uma política de longa data da IRS lhes garante a proteção de seus dados.

Por mais que seja difícil para o órgão localizar imigrantes irregulares que não pagam seus impostos, pessoas que trabalham com esses imigrantes relatam com frequência que os estrangeiros ainda pagam os impostos, pois isso demonstra vontade de respeitar o sistema americano, o que pode ajudar na candidatura ao status legal de residência e trabalho.

Esse sistema depende, portanto, da confiança tanto na boa-fé dos imigrantes quanto no sigilo da IRS. Pois imigrantes irregulares podem simplesmente optar por não pagar impostos. Todavia, a repressão imigratória de Trump arrisca esse frágil equilíbrio baseado na confiança: um quarto de todos os adultos imigrantes. Tanto regulares quanto irregulares relatam ter medo de deportações. E um em seis diz ter visto em pessoa ou ter conhecido pessoalmente algum outro imigrante detido pela ICE em 2025.

“Historicamente, a IRS tem sido muito, muito boa em manter as informações dos contribuintes altamente confidenciais. Para garantir que os contribuintes se sintam seguros em compartilhar tais informações pessoais com o sistema”, disse ao jornal britânico The Guardian Luisa Godinez-Puig, uma pesquisadora sênior no Centro de Política Tributária Urban-Brookings.

“Pensar que o IRS compartilharia informações com qualquer agência seria impensável há alguns anos. Portanto, esta é uma mudança enorme na forma como a política e a confiança entre as agências foram construídas. E por isso é um problema muito sério, com graves consequências.”

E as crianças?

Além disso, até 2,7 milhões de crianças cidadãs americanas e com direito legal à residência permanente nos EUA podem perder benefícios tributários por causa dessas políticas.

Aproximadamente metade das famílias de imigrantes sem documentação costuma declarar o Imposto de Renda nos EUA. Só em 2022, estima-se que esses imigrantes tenham pago um total de US$ 96,7 bilhões, segundo o Instituto de Tributação e Política Econômica. Imigrantes irregulares não se qualificam para a maioria das deduções e benefícios fiscais. E, dessa forma, como resultado, podem acabar pagando uma porcentagem maior de sua renda do que os cidadãos americanos.

Defensores do crédito fiscal infantil afirmam que o programa reduz a pobreza e ajuda famílias diante do aumento do custo de vida. A pobreza infantil subiu recentemente para entre 13% e 16%, atingindo de 10 milhões a 11,4 milhões de crianças. Após a mínima histórica de 5,2% em 2021.

Fonte: exame