Preço do petróleo dispara nesta segunda-feira (18) após ameaças de Trump ao Irã, mas recua com nova proposta de paz mediada pelo Paquistão
O preço do petróleo registrou forte alta nesta segunda-feira (18), impulsionado pelo alerta do presidente dos EUA, Donald Trump, de que o “tempo está correndo” para Teerã, enquanto seguem travadas as negociações entre Estados Unidos e Irã para um acordo definitivo de paz no Oriente Médio.
O petróleo Brent, referência internacional da commodity, subiu 1,9% e alcançou US$ 111,31 por barril (cerca de R$ 563,76). Ampliando a forte valorização registrada desde o fim de fevereiro, antes do início da guerra com o Irã, quando era negociado em torno de US$ 70 o barril.
Nos Estados Unidos, o WTI — petróleo de referência no mercado americano — avançou 2,3%, para US$ 107,83 por barril (cerca de R$ 546,13).
Segundo a agência Reuters, o governo iraniano confirmou que enviou sua posição sobre a proposta americana por meio do Paquistão. Embora não tenha revelado detalhes do possível acordo.
Uma autoridade paquistanesa ouvida pela agência afirmou que os dois lados continuam “mudando as regras do jogo” e alertou: “Não temos muito tempo”.
No momento, um frágil cessar-fogo segue em vigor após seis semanas de guerra, iniciadas depois de ataques aéreos conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã. Apesar disso, as negociações mediadas pelo Paquistão continuam paralisadas.
A escalada nos preços reflete o temor dos investidores após Trump publicar em sua rede social, depois de uma ligação com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que o Irã precisa agir rapidamente “ou não sobrará nada deles”.
Trump pressiona Irã por acordo
Em entrevista à revista Fortune, Trump afirmou ainda que o governo iraniano estaria “morrendo de vontade de assinar um acordo”, mas criticou mudanças nas propostas apresentadas por Teerã.
Na Truth Social, o republicano também publicou imagens provocativas direcionadas ao Irã, incluindo montagens feitas com inteligência artificial mostrando mísseis sendo disparados.
Os Estados Unidos exigem que o Irã encerre definitivamente seu programa nuclear e suspenda o bloqueio ao Estreito de Ormuz. Rota responsável pelo transporte de cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito consumidos no mundo.
Já Teerã cobra indenizações pelos danos da guerra, o fim do bloqueio americano aos portos iranianos e a interrupção dos combates em outras frentes. Como no Líbano, onde Israel enfrenta o Hezbollah, grupo apoiado pelo regime iraniano.
O mercado mantém forte cautela sobre o fluxo global de energia. Uma vez que o Estreito de Ormuz permanece majoritariamente fechado e os EUA impuseram, desde o mês passado, um bloqueio marítimo aos portos iranianos.
“Os riscos de uma nova escalada estão aumentando”, escreveram Warren Patterson e Ewa Manthey, estrategistas de commodities do ING. Eles destacaram que a reação do mercado também reflete a falta de resultados concretos após a cúpula entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim.
Embora a Casa Branca tenha afirmado que ambos concordam que o Estreito de Ormuz deve ser reaberto e que Xi sinalizou disposição da China em ajudar, ainda não está claro como Pequim pretende usar sua influência econômica sobre o Irã.
Impacto nos mercados globais
A alta dos custos de energia elevou as expectativas de inflação e pressionou as bolsas globais. Na Ásia, a maior parte dos mercados fechou em queda:
- Tóquio (Nikkei 225): caiu 0,9%, para 60.843,09 pontos.
- Hong Kong (Hang Seng): perdeu 1,6%, para 25.543,32 pontos.
- Xangai (Composto): recuou 0,1%, também pressionado por dados fracos do varejo chinês em abril.
- Austrália (S&P/ASX 200): caiu 1,4%.
Em Nova York, os contratos futuros dos EUA recuavam mais de 0,6%, após os índices S&P 500 (-1,2%), Dow Jones (-1,1%) e Nasdaq (-1,5%) fecharem em queda (22).
No Japão, o rendimento dos títulos públicos de 10 anos avançou para 2,8%. O maior nível desde o fim dos anos 1990, refletindo expectativas de inflação mais alta e a elevação gradual dos juros pelo Banco do Japão.
No mercado de câmbio, o dólar avançava para 159,02 ienes japoneses, enquanto o euro operava em leve alta, a US$ 1,1626.
Fonte: cnn






