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Diante da alta de endividados de risco, BC anuncia novas regras para conter ofertas abusivas de crédito. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

BC diz que número de endividados de “risco” sobe 75% e soma 20,3 milhões

Dados do BC apontam que o número de endividados de alto risco teve alta de 75% em cinco anos

O BC (Banco Central) apontou a existência de 20,3 milhões de endividados de risco em junho — uma alta de 75% em relação ao mesmo período de 2021 —, no Relatório divulgado nesta terça-feira (27) referente à Estabilidade Financeira no primeiro semestre de 2026.

O número equivale a 17% dos devedores do Sistema Financeiro Nacional. Para ser considerada endividada de alto risco, a pessoa precisa se encaixar em dois dos indicadores estabelecidos pelo BC ao mesmo tempo. Veja:

  • Comprometer mais de 50% com o pagamento de dívidas;
  • Ter uma renda que, após o pagamento das dívidas, fique abaixo da linha da pobreza (R$ 500 a R$ 600);
  • Inadimplência;
  • Multimodalidade (quando a pessoa tem financiamentos em diferentes modalidades).

Segundo o Banco Central, o comprometimento de renda atingiu o nível mais elevado dos últimos 21 anos, com intenso impacto nos tomadores de menor renda. Ademais, a autoridade monetária indica que a crescente digitalização dos serviços financeiros tem ampliado significativamente a exposição de consumidores de menor renda a ofertas de crédito. Desse modo, contribuindo para intensificar o endividamento.

Famílias recorrem a modalidades de crédito mais caras

“As famílias utilizaram o aumento da renda disponível para ampliar seu endividamento, com maior demanda por modalidades mais onerosas, como cartão de crédito e crédito não consignado”, diz o relatório.

Na semana passada, o Banco Central adotou três novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores do endividamento. As resoluções contemplam ações contra ofertas inadequadas ou abusivas e, além disso, maior transparência antes da contratação de operações de crédito.

Além do endividamento das famílias, a capacidade de pagamento de empresas também permanece desafiadora.

“Embora não haja sinais de deterioração relevante na maioria das corporações, aumentou o número de empresas com lucro líquido menor e despesa financeira líquida maior, indicando margem de segurança mais estreita para honrar dívidas”, afirma.

Fonte: cnn