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Saiba quais são as apostas de temas feitas por professores para a redação do Enem 2026. O exame está marcado para os dias 8 e 15 de novembro. Foto: Divulgação

ENEM: professores apontam possíveis temas da redação e dão dicas para candidatos

Professores projetam temas para a redação do Enem e alertam sobre os erros mais comuns

Há menos de três semanas do Enem 2026, marcado para os dias 8 e 15 de novembro, professores recomendam o treino de diversos temas para estruturar argumentos e propostas de intervenção na redação, etapa decisiva que pode garantir até 1.000 pontos na nota final dos candidatos.

O tema da redação é sigiloso e só é descoberto quando o candidato inicia a prova. Por isso, a orientação dos professores é evitar apostar em um único assunto e concentrar a preparação em eixos temáticos que permitam discutir diferentes problemas da sociedade brasileira.

Guilherme Alves, professor de língua portuguesa e redação e mestre em literatura do SIGMA, destaca grupos vulneráveis e desafios nas áreas de saúde e educação entre os assuntos que merecem atenção dos candidatos. Contudo, sua aposta final é nas questões ambientais.

“Neste ano, as apostas giram em torno dos desafios da preservação florestal, impactos dos deslizamentos de terras, da poluição de rios e de mares, das queimadas, sobretudo como elas impactam direta ou indiretamente a população brasileira, marcada pela desigualdade social”, afirma.

No ano passado, a redação abordou o envelhecimento. Em 2024, a herança africana. Em 2023, o trabalho de cuidado realizado pela mulher. E, além disso, em 2022, os povos tradicionais.

Erros comuns

A redação do Enem é avaliada em cinco competências, cada uma com pontuação máxima de 200 pontos. Veja:

As 5 competências da redação do Enem

COMPETÊNCIA 1

Domínio da norma culta

Avalia a escrita formal da língua portuguesa, incluindo regras de ortografia, acentuação, pontuação, concordância, regência e estrutura sintática.

COMPETÊNCIA 2

Compreensão do tema e estrutura

Analisa se o estudante compreende a proposta do tema, evita a fuga do assunto, domina a estrutura do texto dissertativo-argumentativo e utiliza um repertório sociocultural legitimado, pertinente e produtivo.

COMPETÊNCIA 3

Projeto de texto e argumentação

Mede a capacidade de selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos e opiniões para defender um ponto de vista com clareza e estratégia.

COMPETÊNCIA 4

Coesão e mecanismos linguísticos

Verifica o uso adequado de conectivos, preposições, conjunções e pronomes que garantem a ligação lógica entre as frases e os parágrafos do texto.

COMPETÊNCIA 5

Proposta de intervenção

Exige uma solução detalhada para o problema apresentado, contendo cinco elementos essenciais: ação, agente, meio/modo, detalhamento e finalidade, além do respeito aos direitos humanos.

Para errar o mínimo possível, a professora de português e literatura, Claudia Gomes, da Rio International School, dá dicas para pessoas que ainda têm dificuldade em desenvolver um texto dissertativo-argumentativo.

“A melhor estratégia para os estudantes que ainda apresentam dificuldades na produção do texto é compreender e praticar, gradualmente, a estrutura básica desse gênero textual”, recomenda.

Segundo ela, leitura frequente e prática regular da escrita contribuem para ampliar o vocabulário e, por outro lado, aprimorar a organização das ideias.

Quando se trata da gramática, Guilherme destaca problemas recorrentes que podem custar pontos preciosos.

“Os deslizes mais comuns cometidos pelos candidatos referem-se a desvios gramaticais associados à grafia de termos com ‘s’, ‘ss’, ‘sc’, ‘ç’, à acentuação, ao uso da vírgula, à regência nominal-verbal e ao paralelismo sintático”, comenta.

Repertório

Apesar de o repertório ser essencial em uma redação estilo Enem, a especialista de educação Letícia Martins explica que memorizar citações de filósofos ou frases conhecidas não garante uma boa nota.

O repertório sociocultural precisa estar relacionado ao tema e, além disso, contribuir para a defesa do ponto de vista apresentado pelo candidato.

“Uma citação decorada, inserida sem relação com o tema, rende pouco. Já um dado, um fato histórico ou uma obra explicados e conectados ao problema discutido valem muito mais”, observa.

Ademais, Letícia recomenda ao aluno usar um caderno para organizar os repertórios por eixo temático, reunindo informações que possam ser aplicadas a diferentes discussões.

“Para construir esse repertório, ajudam as fontes de qualidade: jornalismo de boa reputação, dados de instituições como IBGE, Ipea e Inep, além de livros, documentários e filmes. Dessa maneira, o candidato chega à prova com poucos repertórios bem compreendidos, e não com uma lista de frases soltas”, finaliza.