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Senadora Tereza Cristina alerta para os riscos de crise no setor e cobra que o governo apresente uma solução macro para fortalecer o agro brasileiro. Foto: Marcelo Camargo/agência brasil

Governo deve pensar em uma solução macro para o agro, diz Tereza Cristina

Diante da crise, Tereza Cristina cobra uma resposta macro do governo para evitar a redução da produtividade no agro

Governo deve pensar em uma solução macro para o agro, diz Tereza Cristina. A decisão da União Europeia, no início de junho, de retirar o Brasil da lista de exportadores de carne acende um alerta no agro brasileiro.

Para a senadora Tereza Cristina (PP-MS), o problema não está na qualidade da carne, mas na capacidade do país de fiscalizar seu sistema sanitário e evitar brechas que possam ser questionadas internacionalmente em um cenário de margens apertadas para os agricultores.

Em conversa com a EXAME, a senadora diz que, sem soluções estruturais, o setor corre o risco de enfrentar redução de volume e produtividade já na próxima safra.

A decisão da UE de retirar o Brasil da lista de exportadores de carne coloca mais uma vez o agro na berlinda. Por que há uma onda protecionista contra o agro brasileiro?

O Brasil, na minha avaliação, não fez o dever de casa. Na realidade, eles não estão questionando a qualidade da carne brasileira, e sim se o Brasil é capaz de fiscalizar esse produto e manter o sistema sanitário em dia. Além disso, vários países da União Europeia não engoliram a assinatura do acordo com o Mercosul. Há uma mudança de visão do comércio que nós tínhamos no passado. O multilateralismo está de lado, meio esquecido.

Mas há uma motivação política nessa decisão da UE?

Muita gente teme a competição da agropecuária brasileira. Nossa agricultura se tornou tão forte e relevante no mundo que vários países sentem preocupação com nossa competitividade. Temos área, volume, seja na carne, seja nos grãos; temos qualidade, tecnologia, mão de obra qualificada e a capacidade de realizar duas safras por ano, podendo chegar a até três safras com irrigação. Isso realmente assusta.

Esses ataques ao agro brasileiro acontecem justamente em um período de margens apertadas para o agricultor. Isso piora o cenário de crise?

É uma tempestade perfeita: preços das commodities em queda, o Estreito de Ormuz fechado e aumento dos custos. O agricultor não está conseguindo pagar suas contas. Não tenho bola de cristal para prever o futuro, mas na próxima safra teremos muitas pessoas fora da atividade, o que deve resultar em queda da produtividade, redução da área plantada e diminuição do volume de produção. Ou o governo resolve sentar e pensar uma solução macro para a agricultura, ou vamos viver de soluços.

Mas falta diálogo do lado do governo?

As pautas não avançam porque o que precisa é vontade política de resolver o assunto. Não resolver o problema não beneficia ninguém: não é bom para o agricultor, não é bom para o consumidor nem para o governo.

Mas quais saídas o governo tem para resolver esse imbróglio?

É necessário resolver o endividamento, alongando os prazos. A agricultura não precisa de perdão de dívida, mas de condições adequadas para o negócio. É preciso um alongamento das dívidas. Para que isso funcione, é necessário um esforço conjunto do governo. Sabemos das dificuldades orçamentárias, mas o governo arrecada cada vez mais e continua gastando. Se essa fosse uma prioridade, estaria no topo da agenda do país.

Fonte: exame