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Destino dos votos: saiba como devem se comportar os eleitores de Cury, Renan e Caiado no segundo turno presidencial. Foto: Divulgação/Paulo Pinto/agência brasil

Descubra para onde vão os votos de Cury, Renan e Caiado no segundo turno

Pesquisas e posições revelam para onde vão os votos de Cury, Renan e Caiado após o primeiro turno

Com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) confirmados no 2º turno, milhões de votos conquistados por outros candidatos voltam ao centro da disputa presidencial. Flávio encerrou a primeira etapa com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula. A diferença entre os dois deixa ainda mais relevante a decisão de quem escolheu (4) uma terceira opção. Ao longo do texto, descubra para onde vão os votos de Cury, Renan e Caiado.

Cerca de 9,3 milhões de votos foram destinados aos demais concorrentes. Entre os principais nomes desse grupo, Augusto Cury (Avante) ficou em terceiro lugar, seguido por Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD). Romeu Zema (Novo) também está entre os candidatos cujos eleitores passam a ser observados nesta nova etapa da disputa. Além dos apoios anunciados após o primeiro turno, pesquisas realizadas antes da votação ajudam a indicar como esses diferentes grupos podem se comportar até 25 de outubro.

2º turno: para onde podem migrar os votos de Cury, Renan e Caiado?

A preferência de um candidato derrotado, contudo, não significa que seus eleitores seguirão necessariamente a mesma escolha. Perfil político, rejeição aos finalistas e até a possibilidade de votar em branco, anular ou não comparecer também interferem nessa decisão.

Uma pesquisa Quaest, divulgada antes do primeiro turno e citada pela, mostrava vantagem numérica de Flávio entre os eleitores de três dos principais candidatos eliminados. Entre os apoiadores de Cury, 34% escolheriam Flávio e 23%, Lula. Outros 41% indicavam voto branco, nulo ou ausência.

A diferença aparecia de maneira mais acentuada entre os eleitores de Renan Santos: 60% apontavam Flávio e 11%, Lula. Já entre os que declaravam voto em Caiado, os percentuais eram de 43% e 19%, respectivamente. Branco, nulo ou abstenção representavam 27% entre os apoiadores de Renan e 36% entre os de Caiado.

Outra leitura, porém, ajuda a mostrar que esse movimento não é uniforme. Cruzamentos da Real Time Big Data, analisados pelo especialista Bruno Soller e apresentados pelo ‘InfoMoney’ antes da votação, apontavam diferenças importantes entre os quatro eleitorados.

No caso de Zema, Soller identificava maior inclinação ao chamado voto útil, predominantemente em direção a Flávio. Já entre os apoiadores de Caiado, a tendência também favorecia o candidato do PL, mas com possibilidade de Lula conquistar parte do eleitorado mais velho.

Cury apresentava uma dinâmica diferente. Na avaliação do analista, eleitores mais propensos a Flávio já haviam migrado durante a campanha, deixando entre os apoiadores que permaneceram um grupo com maior possibilidade de aproximação com Lula. Renan, por sua vez, reunia um eleitorado descrito como mais resistente à lógica tradicional entre os dois campos políticos.

“É um voto mais afirmativo, é um voto meio que contra tudo e contra todos. “Não é um voto de posicionamento ideológico”, afirmou Soller ao ‘InfoMoney’.

Cury e Renan não indicam candidato

Dono do maior número de votos entre os concorrentes que ficaram fora da segunda etapa, Augusto Cury recebeu 3,44 milhões de votos, equivalentes a 2,89% dos válidos. Apesar disso, decidiu não indicar preferência entre Lula e Flávio.

“Eu me silencio completamente em relação àqueles que estarão no segundo turno, dizendo o seguinte: ninguém está autorizado em meu nome e nem em nome do Júlio [Delgado, coordenador da campanha] a pedir ou dizer que vai apoiar qualquer um dos candidatos.” E eu gostaria de me silenciar em relação a isso. “Não quero responder nada em relação ao segundo turno”, declarou aos jornalistas, segundo a ‘Agência Brasil’.

Ademais, Cury sinalizou que pretende deixar a vida político-partidária. Após uma campanha marcada pelo discurso contrário à polarização, pediu que o próximo presidente considere propostas apresentadas por sua candidatura.

“Quero que um conservador consiga ouvir um progressista sem odiá-lo; que um progressista consiga conversar com um conservador sem desumanizá-lo; que possamos criticar ideias sem destruir pessoas. Quem ganhar torço para que governe pensando em um Brasil de esperança”, escreveu em nota.

Renan Santos adotou posição semelhante ao deixar a decisão nas mãos de seus apoiadores. “Façam o que vocês quiserem. Quer votar em um, quer votar no outro? “Fique à vontade”, afirmou, segundo o ‘g1’. Ele também disse que não pediria voto nulo nem faria indicação por um dos dois finalistas.

Zema declara apoio e Caiado avalia caminho

Entre os quatro nomes, Romeu Zema tomou uma posição mais direta e declarou apoio a Flávio Bolsonaro. “Não vou me omitir, nem ficar em cima do muro nesse momento tão importante. Voto contra o PT, voto no Flávio Bolsonaro. “O Brasil não aguenta mais quatro anos de Lula”, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais, segundo a ‘BBC News Brasil’.

Ronaldo Caiado, por outro lado, afirmou inicialmente que conversaria com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, antes de formalizar uma decisão. “Eu, neste momento, vocês sabem, vou guardar a minha coerência, mas jamais vou me pronunciar sem antes também estar reunido com o presidente do meu partido, Kassab”, disse.

Caiado também tem encontro previsto com Flávio nesta terça-feira (6), em Goiânia. A expectativa é que os dois façam uma manifestação após a reunião. Mesmo com esses movimentos políticos, os levantamentos anteriores ao primeiro turno mostram que apoio partidário e transferência de voto não são equivalentes.

Em entrevista à ‘BBC News Brasil’ antes do primeiro turno, a cientista política Cila Schulman avaliou que Lula teria menos espaço para buscar novos eleitores entre os candidatos eliminados no 2º turno. “O mercado de votos para o Lula é muito restrito, porque ele está sozinho no campo da esquerda, então ele não tem como abarcar votos de um Ciro [Gomes], de uma Simone [Tebet] ou de uma Marina [Silva] como ele teve em outras eleições”, afirmou.

“Então, quem aprova o governo e quem está no campo da esquerda ou quem é antibolsonarista já não está votando nele. Onde o Lula pode crescer? Ele ainda tem uma margem entre quem aprova o governo dele, mas não está declarando intenção de voto nele”, complementou.

Fonte: terra