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Texto que cria a política de minerais críticos é aprovado pelo Senado e segue para a sanção do presidente da República. Foto: Marcos Oliveira/agência senado

Senado aprova política nacional para minerais críticos e texto vai à sanção

Aprovada pelo Senado, a Política Nacional de Minerais Críticos traz regras de rastreabilidade e cria certificado de baixo carbono

O Senado aprovou ontem (2) o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), iniciativa voltada a organizar a exploração, o beneficiamento e a industrialização de recursos considerados estratégicos para o País. Como o texto manteve, em linhas gerais, a versão aprovada pela Câmara dos Deputados, a proposta segue agora para sanção presidencial.

O projeto também cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), que ficará vinculado à Presidência da República.

Relatada no Senado por Eduardo Braga (MDB), a proposta busca estabelecer uma estratégia nacional para pesquisa, lavra, beneficiamento, transformação mineral e mineração urbana.

O texto prioriza cadeias relacionadas à transição energética, produção de fertilizantes, tecnologias avançadas e segurança econômica.

Fundo poderá ter até R$ 2 bilhões da União

Entre os instrumentos previstos está a autorização para criação do Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM).

A União poderá participar do fundo com até R$ 2 bilhões. Além disso, empresas do setor também deverão destinar anualmente uma parcela da receita operacional para projetos de pesquisa e desenvolvimento e, durante os primeiros anos, para o próprio fundo.

O projeto preserva ainda o Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos.

A iniciativa prevê crédito fiscal de até 20% dos gastos realizados em etapas industriais desenvolvidas dentro do Brasil.

Ademais, o benefício terá limite global de R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034.

Projetos considerados prioritários também poderão utilizar debêntures incentivadas como alternativa de financiamento.

Rastreabilidade fará parte da nova política

Outro ponto do projeto é a criação de mecanismos para acompanhar a origem e a circulação dos minerais.

O sistema de rastreabilidade deverá registrar transações e agentes envolvidos na cadeia produtiva, com o objetivo de verificar a origem lícita dos produtos e o cumprimento de exigências socioambientais e regulatórias.

Por outro lado, o texto também prevê um Cadastro Nacional de Projetos e estabelece regras para leilões de áreas com potencial mineral.

Outra ferramenta criada é o Certificado Mineral de Baixo Carbono, de adesão voluntária, destinado a diferenciar produtores que apresentem menor intensidade de emissões ao longo do ciclo de produção.

Proposta mira maior industrialização no país

A política aprovada busca ampliar não apenas a extração, mas também as etapas de beneficiamento e transformação de minerais dentro do território brasileiro.

O tema ganhou importância diante do interesse internacional em minerais críticos e terras raras, considerados fundamentais para diferentes tecnologias e para setores ligados à transição energética.

A aprovação também representa uma vitória para o governo federal, que busca ampliar a participação brasileira nessa cadeia e defender maior controle nacional sobre recursos considerados estratégicos.

Por fim, com a votação concluída no Congresso, o projeto segue agora para análise e eventual sanção presidencial.

Fonte: Senado Federal