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Com ranking ELO e patentes, o site Omoggle usa a aparência como base para transformar interações em um jogo de comparação estética. Foto: Reprodução

OMOGGLE: Site transforma aparência em jogo e populariza tendência do looksmaxxing na machosfera

Plataforma Omoggle vira jogo ao avaliar a aparência de usuários por inteligência artificial e classificá-los em hierarquias rígidas

O Omoggle, nome que faz referência ao antigo Omegle e à gíria “moggar”, é mais um exemplo de como discursos que nasceram em comunidades da machosfera estão chegando a um público cada vez maior, transformando a aparência em um jogo. O site coloca duas pessoas aleatórias frente a frente, usa a câmera para analisar seus rostos e declara um vencedor com base em quem teria a aparência mais “perfeita”.

Depois de cada partida, os participantes ganham ou perdem pontos em um sistema de ranking ELO, semelhante ao usado em jogos competitivos.

Como o looksmaxxing virou um jogo

A lógica vem do looksmaxxing, tendência que incentiva pessoas, principalmente homens, a buscar uma aparência considerada ideal por meio de mudanças estéticas e da tentativa de se aproximar de padrões de beleza rígidos. No Omoggle, essa lógica ganha um formato de jogo, em que cada resultado influencia a posição dos participantes na classificação.

Isso também aparece nas categorias da plataforma. As patentes usam termos bastante conhecidos nesses grupos, como Chad, nome dado ao homem considerado o ideal de masculinidade e atratividade. Há ainda classificações como Slayer, Chadlite e Molecule, que organizam os usuários em uma hierarquia baseada na aparência. Também é possível entrar em clãs e disputar posições no ranking global.

Looksmaxxing: O que é a tendência que preocupa especialistas

O acesso de crianças preocupa

Embora o site informe que se destina apenas a maiores de 18 anos e avise que os vídeos podem conter conteúdo adulto, diversas publicações nas redes sociais mostram que crianças também acessam a plataforma e participam das partidas.

Inclusive, durante um teste feito pela reportagem, a primeira pessoa conectada foi uma criança. Ela movimentava a câmera repetidamente, aparentemente tentando mudar a avaliação do sistema, mas acabou perdendo o confronto.

O Omoggle chama atenção por transformar a análise do rosto em uma pontuação e reforçar uma lógica presente em discursos da machosfera. A de que a aparência pode ser medida, comparada e organizada em um ranking. A dinâmica ajuda a explicar por que debates sobre looksmaxxing e padrões de beleza continuam ganhando espaço entre os jovens nas redes sociais.

Fonte: capricho