Diante de riscos na inflação, BC aposta em juros restritivos na condução da política monetária
Segundo a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (22), o Banco Central (BC) defendeu a manutenção de juros restritivos no país diante da pressão de demanda, mesmo com sinais de arrefecimento da atividade econômica e da inflação.
“Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo”, disse o BC no documento.
A autarquia cortou na semana passada a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, a 13,75% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto ao afirmar que o atual cenário de incerteza demanda serenidade e cautela na condução da política monetária.
Riscos para a inflação
Na avaliação do Copom, as expectativas de inflação continuam acima da meta, enquanto a inflação de serviços mostra maior resistência. O colegiado também apontou riscos relacionados a uma eventual desvalorização do real e a estímulos ao consumo que possam elevar a atividade acima da capacidade da economia.
O cenário externo também preocupa a autoridade monetária. As incertezas envolvendo os conflitos no Oriente Médio e os preços do petróleo podem pressionar custos e dificultar o processo de desinflação. O El Niño aparece como outro fator de atenção, principalmente pelos possíveis efeitos sobre a produção agrícola e os preços de alimentos e energia.
Mercado mantém expectativa de novos cortes
Apesar das incertezas, as projeções do mercado financeiro indicam continuidade da redução da Selic até o fim do ano. O Boletim Focus divulgado ontem (21) passou a apontar a taxa em 13,5% ao ano no encerramento de 2026. Com previsões de novos cortes nas reuniões de novembro e dezembro.
O Copom, porém, não sinalizou previamente o tamanho ou a duração de possíveis novas reduções. Segundo o comitê, as próximas decisões dependerão da evolução dos preços, das expectativas de inflação e dos demais indicadores econômicos.
Fonte: uol








