Ademar Celedônio, diretor de ensino e inovação da Arco Educação, considera o erro mais comum nessa fase tratar a leitura como uma coleção de frases para citar na redação. Para ele, o verdadeiro objetivo deveria ser ampliar a compreensão do Brasil e aprender a relacionar diferentes ideias.
Entrevistado pela CNN Brasil, o especialista em preparação para vestibulares afirma: “É isso que transforma uma obra em repertório realmente produtivo”. Mas, a essa altura dos estudos, alerta, não vale a pena tratar leitura como mais uma cobrança de última hora.
Essa história de dizer que o estudante precisa “ler mais” pode acabar gerando culpa e ansiedade, principalmente quando esse hábito. Que deveria ter sido estimulado progressivamente desde o início do Ensino Fundamental — não foi construído ao longo da vida escolar.
A boa notícia, segundo Celedônio, é que mesmo quem não consolidou esse hábito pode começar com uma rotina realista, “por meio de reportagens, artigos de divulgação científica, crônicas e outros textos mais curtos, sempre acompanhados de uma leitura ativa”.
Que tipo de leituras realmente ajuda na reta final do Enem?
Antes de recomendar os livros, Celedônio faz uma ressalva: nos vestibulares com lista de leituras obrigatórias, essas deverão ter prioridade. A leitura complementar entra depois, como forma de ampliar o repertório. Nessa categoria, ele recomenda cinco obras.
Além dessas sugestões, ele recomenda acompanhar sites e perfis de instituições como Embrapa, Pesquisa FAPESP, Jornal da USP e Jornal da Unicamp — fontes de divulgação científica que já apareceram como texto-base em provas: a Fuvest 2025, por exemplo, usou uma reportagem do Jornal da USP.
Conteúdos da Pesquisa FAPESP também já caíram no Enem e na Unicamp, e materiais da Embrapa apareceram em vestibulares. Celedônio alerta que “acompanhar atualidades não significa apenas saber o que aconteceu”; é preciso compreender as causas, as consequências e as diferentes dimensões de cada acontecimento.
Entre os temas que valem a pena seguir, ele cita mudanças climáticas e COP30, inteligência artificial e seus efeitos na educação e no trabalho, desinformação e funcionamento dos algoritmos, envelhecimento populacional, saúde pública e vacinação, desigualdades sociais e questões de democracia, direitos humanos e migrações.
Como encaixar a leitura na rotina de estudos?
Se a essa altura a sensação for a de que não cabe mais nada na rotina, a ideia de abrir um espaço para “mais leitura” pode parecer quase uma provocação. Mas Celedônio faz uma proposta bem simples: reservar diariamente de 20 a 30 minutos para uma leitura concentrada.




