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Mudanças na dieta e no fluxo salivar decorrentes das canetas emagrecedoras criam o ambiente ideal para o desenvolvimento de mau hálito. Foto: Reprodução/Istock

Entenda por que as canetas emagrecedoras podem causar boca seca e mau hálito

Especialistas explicam que alterações gástricas e a queda na hidratação durante o uso de canetas emagrecedoras favorecem o surgimento do mau hálito

Entenda por que as canetas emagrecedoras podem causar boca seca e mau hálito. Medicamentos como semaglutida, princípio ativo do Ozempic, e tirzepatida, do Mounjaro, ganharam espaço no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Além da perda de peso e do controle da glicemia, os efeitos dessas substâncias podem aparecer em uma região menos óbvia: a boca.

A relação não costuma ser direta. Vômitos, refluxo, redução da ingestão de alimentos e líquidos e possível diminuição da saliva podem alterar o ambiente bucal. Revisões recentes apontam xerostomia (boca seca), alteração do paladar e mau hálito entre as manifestações observadas em pacientes que usam esses medicamentos.

Por que o hálito pode mudar?

A boca seca é uma das principais peças desse quebra-cabeça. A semaglutida afeta as glândulas salivares da boca. Além disso, outras canetas podem influenciar mecanismos cerebrais que regulam.

A saliva ajuda a limpar a cavidade oral e controlar a proliferação de microrganismos. Quando sua produção diminui, esse mecanismo perde eficiência, favorecendo o acúmulo de bactérias e compostos responsáveis pelo mau odor. A redução da ingestão de alimentos e líquidos, comum em alguns pacientes durante o tratamento, pode contribuir para esse cenário.

Outra possível explicação é a cetose. Quando a ingestão de carboidratos cai bastante e o organismo passa a utilizar mais gordura como combustível, são produzidas substâncias eliminadas pela respiração. Sendo assim, esse fator pode alterar o cheiro do hálito.

Por outro lado, os efeitos gastrointestinais também merecem atenção. Medicamentos dessa classe podem retardar o esvaziamento gástrico e provocar náusea, vômitos, arrotos e refluxo. Quando o conteúdo ácido do estômago chega repetidamente à boca, pode ocorrer a longo prazo erosão do esmalte, aumentando a sensibilidade e favorecendo o desgaste dental, além de colaborar para o mau hálito.

Como proteger a boca durante o tratamento

Quem já apresenta cáries, gengivite, doença periodontal ou tendência à boca seca pode precisar de atenção maior. Dentes sensíveis, sangramento gengival, ardência e língua esbranquiçada merecem avaliação.

Algumas medidas simples ajudam: manter uma boa hidratação ao longo do dia, escovar os dentes com creme dental fluoretado, limpar a língua, usar fio dental e manter as consultas odontológicas em dia. Além disso, produtos específicos para estimular a salivação também podem ser considerados quando há xerostomia.

Após episódios de vômito ou refluxo, é melhor evitar escovar os dentes imediatamente. O contato recente com o ácido pode deixar o esmalte temporariamente mais vulnerável; enxaguar a boca com água e esperar antes da escovação reduz o risco de desgaste mecânico adicional.

Por fim, é importante ressaltar que nem todo paciente em uso das canetas vai desenvolver o sintoma. A saúde bucal depende de vários fatores, e os efeitos observados parecem estar ligados principalmente às mudanças gastrointestinais, alimentares, de hidratação e de salivação. A recomendação médica é evitar generalizações e observar cada caso individualmente.

Fonte: uol