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Tempestade com ventos intensos deixa mortos e rastro de destruição no Sudeste do Brasil. Veja o cenário no RJ, SP e Região Sul. Foto: Tercio Teixeira/AFP

Ventos de até 125 km/h deixam mortos e feridos no Sudeste do Brasil

Fenômeno extremo com ventos históricos no Sudeste do Brasil resulta em mortos, feridos e apagões

Ventos fortes que atingiram o Sudeste do Brasil deixaram cinco mortos e um desaparecido nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Em algumas regiões, as rajadas chegaram a 124,9 km/h.

Embora o fenômeno seja diferente de um furacão, a intensidade dos ventos é comparável à observada nas categorias mais altas da Escala de Beaufort, que mede a força das rajadas.

Diversos municípios registraram quedas de árvores, interrupções no fornecimento de energia e impactos nos sistemas de transporte. No Rio Grande do Sul, um tornado causou danos nos municípios de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, além de deixar quatro feridos. Além disso, em Santa Catarina, moradores de Garuva e Joinville relataram destelhamentos.

Rio de Janeiro: apagão e interrupção de trens e aeroportos

No Rio de Janeiro, duas pessoas morreram após o desabamento de um muro em Santa Teresa, na região central da capital. Um pescador segue desaparecido em Tarituba, distrito de Angra dos Reis, na Costa Verde.

Segundo o Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), foram registradas 185 ocorrências relacionadas à ventania, entre elas 93 quedas de árvores, 31 salvamentos de pessoas e cinco desabamentos.

A Secretaria Estadual de Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros informaram que atuam de forma integrada e instalaram um gabinete de crise.

O Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden-RJ) emitiu alerta para os efeitos da aproximação de uma frente fria pelo oceano, válido até as 7h desta quinta-feira. Com rajadas superiores a 100 km/h, a cidade entrou no Estágio 2 de alerta.

Diversos bairros da capital ficaram sem energia durante a tarde. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que houve desligamentos nas redes de transmissão e distribuição a partir das 15h57, afetando o Sistema Interligado Nacional (SIN) na área do Rio de Janeiro. Às 16h38, a concessionária desligou a Subestação Grajaú. A empresa restabeleceu o fornecimento às 17h35.

Aeroporto do Rio teve operações interrompidas por quase duas horas

O Aeroporto Santos Dumont suspendeu as operações entre 16h52 e 18h56. Segundo a Infraero, a pista passou por vistoria e limpeza de detritos antes da retomada dos pousos e decolagens.

Nove voos tiveram seus destinos alterados pelas companhias aéreas, que os desviaram para outros aeroportos, enquanto sete empresas cancelaram decolagens. No Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Galeão), as companhias redirecionaram quatro voos que tinham o terminal como destino.

De acordo com a SuperVia, concessionária que opera o sistema ferroviário da Região Metropolitana, a empresa interrompeu a circulação dos trens para realizar vistorias de segurança. Já o MetrôRio informou que as linhas 1, 2 e 4 tiveram a operação suspensa às 16h40. Passageiros relataram nas redes sociais que ficaram retidos dentro das composições. Horas depois, a concessionária anunciou a retomada gradual dos serviços.

“Na volta para casa hoje, evitem áreas abertas e marquises de prédios. Há registros de queda de árvores em todas as regiões da cidade. Semáforos e o trânsito foram impactados em diferentes pontos. Também há relatos de problemas no fornecimento de energia elétrica em todo o estado”, escreveu o prefeito em exercício do Rio, Eduardo Cavaliere.

Em São Paulo, ventos a 124,9 km/h

No estado de São Paulo, os ventos chegaram a 124,9 km/h e provocaram ao menos três mortes.

Segundo a Defesa Civil estadual, os ventos fortes causaram mortes em Santos, onde uma árvore atingiu um homem; em Cesário Lange, onde uma árvore caiu sobre um carro e matou uma pessoa; e em São Sebastião, onde o naufrágio de uma embarcação matou um pescador. A Defesa Civil ainda não divulgou detalhes sobre os incidentes.

No início da tarde, o órgão emitiu alerta severo para rajadas de vento na capital paulista, na Grande São Paulo e no litoral.

Os municípios de Itaporanga e Itaí registraram as maiores velocidades, com rajadas de 124,9 km/h, seguidos por Taquarituba (117 km/h), Arandu (113,1 km/h), Paranapanema (113 km/h) e Itanhaém (111 km/h). Embora se tratem de fenômenos distintos, ciclones extratropicais também podem produzir rajadas acima de 103 km/h.

Em Santos, as rajadas chegaram a 83,7 km/h. Além disso, na capital paulista, as rajadas atingiram 75,3 km/h. Segundo o Corpo de Bombeiros, até as 17h21 haviam sido registradas 39 ocorrências de queda de árvores. Com isso, o Porto de Santos ficou paralisado por quatro horas.

Ventos de até 125 km/h deixam mortos e feridos no Sudeste do Brasil – Como a ventania se formou

A ventania foi provocada pelo encontro de duas massas de ar: uma quente e seca e outra fria e úmida.

O ar mais frio e denso permaneceu próximo à superfície e avançou sob a massa de ar quente, criando um forte contraste de temperatura e umidade que favoreceu a formação dos ventos intensos.

“O intenso contraste térmico entre o ar muito quente e seco que predominava em São Paulo e no Rio de Janeiro e o ar frio e úmido trazido pela frente fria acelerou o ar, causando ventos muito fortes”, informou o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Queda brusca de temperatura intensificou os ventos

Por outro lado, a velocidade de deslocamento da frente fria também contribuiu para a intensidade do fenômeno. Em Guarulhos, por exemplo, a temperatura chegou a 30°C por volta das 13h e caiu para 21°C uma hora depois, segundo o Climatempo.

O Cemaden classificou como alta a possibilidade de novos eventos hidrológicos no Rio Grande do Sul nesta quinta-feira, especialmente nas regiões de Santa Cruz do Sul-Lajeado e Porto Alegre, devido à propagação da onda de cheia nas bacias dos rios Jacuí, Taquari, Caí e Sinos. Portanto, o risco de alagamentos é grande.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta laranja para ventos costeiros em todo o estado de São Paulo e para o litoral do Rio de Janeiro ao sul de Cabo Frio. Sendo assim, o instituto prevê ventos intensos e movimentação de dunas sobre construções em áreas da orla.

Em conclusão, o alerta laranja representa o segundo nível mais elevado entre os três graus de severidade adotados pelo Inmet: amarelo, para perigo potencial; laranja, para perigo; e vermelho, para grande perigo. O aviso permaneceu válido até o fim da noite desta quarta-feira. Segundo o Cemaden, no momento não há novos riscos associados a ventanias nos estados.

Fonte: dw/agência brasil