TSE avalia criar selo de qualidade para institutos de pesquisas eleitorais em meio a debates sobre transparência e metodologia
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, ampliou (14) o cerco a institutos de pesquisas eleitorais.
Pouco mais de um mês depois de suspender uma pesquisa desfavorável a Flávio Bolsonaro, sugeriu criar um selo de qualidade para empresas que mais se aproximarem de resultados eleitorais.
Primeiro, porque não se sabe como isso seria feito na prática. Por exemplo, serão comparados votos válidos ou votos totais? E quem fará esse serviço?
Segundo associações do setor, as pesquisas medem a intenção de voto no momento em que os institutos realizam os levantamentos, e não o momento do voto. E a ideia pode fazer com que institutos fajutos balanceiem seus números na reta final de uma eleição. Tendo por base os levantamentos de institutos sérios.
Mas, mesmo dentre os institutos, há quem veja com bons olhos. Sobretudo, por entender haver uma reserva de mercado que prejudica todo o setor. O que é fato é que a medida atende a uma demanda antiga de políticos que tentam há anos ampliar seu controle sobre pesquisas eleitorais e influenciar nos resultados nas eleições.
Como funcionará o selo de qualidade do TSE
A proposta ainda precisa passar pela análise do plenário do TSE antes de entrar em vigor. Durante reunião com representantes de institutos de pesquisa, Kassio Nunes Marques afirmou que a iniciativa busca ampliar a transparência, fortalecer a confiança pública nas pesquisas eleitorais e incentivar o aperfeiçoamento das metodologias utilizadas pelas empresas. O presidente da Corte também destacou que os ministros aprovarão as sugestões apresentadas pelos institutos antes de incorporá-las às normas.
Atualmente, a legislação eleitoral já obriga os institutos a registrarem informações detalhadas sobre cada levantamento antes da divulgação. As empresas precisam informar metodologia, plano amostral, período de realização da pesquisa, margem de erro, nível de confiança, contratante e valor pago pelo estudo. Entre outros dados. Essas informações ficam disponíveis para consulta pública no sistema da Justiça Eleitoral.
Apesar disso, representantes do setor afirmam que a criação de um selo baseado na proximidade entre pesquisa e resultado oficial pode estimular comparações inadequadas entre levantamentos realizados em períodos diferentes da campanha. As entidades defendem que pesquisas registram a intenção de voto no momento da coleta dos dados e seguem critérios estatísticos reconhecidos. Sem a função de prever o resultado final das urnas.
Fonte: cnn







