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Entre altos preços e riscos sanitários, pacientes recorrem à Justiça no Brasil para importar tirzepatida sem registro na Anvisa. Confira os detalhes do impasse. Foto: Reprodução/Gemini

Disputa judicial sobre tirzepatida no Brasil coloca em xeque normas da Anvisa para importação

Impasse entre decisões judiciais e normas da Anvisa coloca em risco o acesso à tirzepatida no Brasil

O acesso à tirzepatida, uma das substâncias mais modernas no tratamento da obesidade e do diabetes, virou motivo de disputa judicial no Brasil, por conta de, mesmo proibidas pela Anvisa, versões do medicamento produzidas no Paraguai terem sido alvo de ações que pedem autorização de importação.

Enquanto alguns pacientes conseguem decisões favoráveis na Justiça, a agência reguladora tenta barrar a entrada desses produtos e mantém o alerta sobre riscos sanitários. O resultado é um impasse que envolve preço, acesso e segurança, explica o G1.

Como o medicamento entrou no centro da disputa

A tirzepatida integra a nova geração de medicamentos GLP-1, usados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. No Brasil, existe uma versão aprovada, mas o alto custo e a falta de alternativas mais acessíveis acabaram impulsionando a busca por opções vindas de fora.

O preço é o principal ponto dessa discussão. Em muitos casos, o tratamento passa de mil reais por mês. Já as versões paraguaias chegam a valores bem menores, o que levou pacientes a recorrerem à importação e, em alguns casos, à Justiça.

Até o momento, a Justiça Federal identificou pelo menos 12 ações pedindo autorização para a entrada do medicamento. Ademais, em cinco delas, juízes liberaram a importação de forma liminar, sob argumento de uso pessoal.

Resumo do que já se sabe:

  • cerca de 12 processos foram identificados;
  • cinco decisões autorizaram a importação;
  • a maioria dos pedidos envolve tratamento contínuo;
  • os casos aparecem em diferentes estados;
  • a Anvisa já proibiu nove versões da tirzepatida.

O que motivou a proibição da Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária afirma que os produtos não passaram por avaliação no Brasil, etapa obrigatória para garantir segurança, eficácia e qualidade. Sem esse registro, não há liberação para circulação no país.

Outro ponto importante é a conservação do medicamento. A tirzepatida exige manutenção entre 2°C e 8°C durante toda a cadeia de transporte, o que torna difícil garantir esse controle em entradas irregulares.

Além disso, as autoridades enquadram a importação desses produtos como contrabando, o que já resulta em operações de apreensão em diversas regiões.

“O registro na Anvisa é necessário para integrar a cadeia comercial.” Para uso pessoal, essa exigência não se aplica.

Priscilla Ruschel, advogada, ao G1.

A Anvisa também monitora notificações de reações adversas associadas ao uso da substância, incluindo casos de mortes em investigação. Ainda não é possível afirmar quantos estão ligados às versões irregulares.

O impasse entre Justiça e regulação

O principal ponto de tensão está no custo. Enquanto medicamentos aprovados no Brasil podem ultrapassar R$ 1,4 mil por mês, versões paraguaias chegam a cerca de R$ 460, diferença que define a possibilidade de continuidade do tratamento.

Diante disso, muitos pacientes recorreram ao Judiciário. Em geral, os pedidos incluem uso pessoal, receita médica e histórico de doenças como obesidade e diabetes.

O cenário atual é dividido:

  • algumas decisões autorizam a importação mediante exigências;
  • outras negam com base nas regras da Anvisa;
  • casos semelhantes têm resultados diferentes;
  • não há entendimento uniforme nos tribunais;
  • o preço segue como principal fator das ações.

Especialistas apontam que liberar o uso sem registro sanitário pode gerar impactos mais amplos, já que eventuais reações adversas podem atingir o sistema público de saúde.

O que ainda não está resolvido

O ponto mais delicado é a divergência entre decisões judiciais e normas sanitárias.Uma parte dos magistrados entende que o uso pessoal permite flexibilizar as regras, enquanto outra parte reforça que as decisões não podem afastar a Anvisa nesse tipo de caso.

A agência segue recorrendo das liberações e mantém a posição de que não há autorização para entrada de medicamentos sem registro no país.

Enquanto isso, dados da Receita Federal mostram grande volume de apreensões em poucos meses, especialmente em regiões de fronteira.

Por fim, o caso continua sem uma definição única. Pacientes tentam garantir acesso ao tratamento, autoridades reforçam o controle sanitário, e o tema segue sendo decidido individualmente na Justiça.

Fonte: olhar digital/g1