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Plenário do STF decide por unanimidade que a Lei Maria da Penha passa a valer para casos de violência de gênero ocorridos fora do âmbito doméstico. Foto: Rosinei Coutinho/STF

STF amplia Lei Maria da Penha para violências sem vínculo doméstico

STF atualiza aplicação da Lei Maria da Penha para incluir situações de violência de gênero no trabalho, na política e na sociedade

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu ontem (19), por unanimidade, que as medidas protetivas da Lei Maria da Penha se aplicam também para violências contra a mulher baseadas no gênero que ocorram fora do contexto doméstico.

Com a decisão, mulheres vítimas de violência de gênero em diferentes contextos, como o profissional, institucional, social ou político, poderão também contar com a proteção dos mecanismos legais da Lei Maria da Penha.

De acordo com o presidente do STF e relator do recurso, o ministro Edson Fachin, o fator característico da violência de gênero é a condição da vítima como mulher. E não o ambiente no qual ela ocorre. Portanto, a lei deve considerar também as violências em outros contextos.

Medidas protetivas também passam a contemplar casos de violência política de gênero

Ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin também tiveram suas propostas acolhidas pelo colegiado. Dino sugeriu a inclusão da adoção de medidas protetivas aos casos de violência política de gênero. Segundo o ministro, desestimulam a participação feminina na política.

Já Zanin defendeu que nenhum juiz pode recusar um pedido urgente de medida protetiva, afirmando não ser o responsável pelo caso. Ele sugeriu que o magistrado analise a urgência na hora. E, depois, envie o processo para o juiz competente (como uma Vara de Violência contra a Mulher) confirmar ou alterar a decisão.

Em seu voto, a ministra Cármen Lúcia afirmou que sua conclusão do cenário atual da violência contra a mulher, depois de 20 anos da Lei Maria da Penha, é de que houve retrocesso. Além disso, ela aproveitou para citar o descumprimento de uma medida protetiva concedida à própria Maria da Penha, por seu ex-marido e agressor.

Por fim, Marco Antônio Heredia Viveros foi preso preventivamente (9). Depois de dar uma entrevista à Record sobre as tentativas de homicídio cometidas contra Maria da Penha (7). Perto do aniversário de 20 anos da lei. Ela e suas duas filhas possuem uma medida protetiva que proibia Viveros de divulgar informações sobre o processo. E de propagar o nome ou a imagem das vítimas em redes sociais, aplicativos ou outros ambientes virtuais.

Fonte: poder360