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Senado deve votar nesta terça PEC da Segurança Pública. O tema é considerado prioritário para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pretende, após a aprovação, criar o Ministério da Segurança Pública. Foto: Marcos oliveira/agência senado

Senado deve votar nesta terça PEC da Segurança Pública

Senado vota PEC da Segurança Pública que prevê criação do SUSP, ampliação da PRF e novas regras para organizações criminosas

O plenário do Senado Federal deve votar nesta terça-feira (3) a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. O tema é considerado prioritário para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pretende, após a aprovação, criar o Ministério da Segurança Pública.

Para ser aprovada, uma PEC precisa ter ao menos três quintos dos votos favoráveis em dois turnos de votação. Ou seja, precisa contar com o apoio de 49 senadores.

A proposta estava prevista para ser analisada pelos senadores antes do segundo turno das eleições, mas um impasse sobre emendas que preveem a redução da maioridade penal levou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a adiar a votação.

A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que o governo mantém a posição de não votar a redução da maioridade penal junto com a PEC da Segurança. Segundo a senadora, a Câmara já discute o tema em uma Comissão Especial.

“A redução da maioridade penal não é objeto da PEC da Segurança. Considera-se o chamado ‘jabuti’. É um tema que precisa ser enfrentado com profundidade e ouvindo amplos setores da sociedade.”

A expressão “jabuti” é usada no jargão político para definir a inclusão, em uma proposta, de um assunto que não tem relação com o tema principal do texto.

No entanto, a senadora aposta que o tema vai a voto e terão que disputar no plenário, sem acordo por parte deles.

Governo defende discussão separada sobre a PEC

O governo considera que o melhor caminho para aprovar a PEC é separar a discussão sobre a redução da maioridade penal e que não vai deixar de discutir a medida na hora certa.

Segundo o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, haverá uma reunião com os líderes do governo na manhã desta terça. Além disso, o presidente do Senado deve se reunir com os líderes antes da votação.

Há dez dias do segundo turno das eleições presidenciais — em que Lula acabou vencendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) —, a oposição apresentou uma emenda para diminuir a maioridade penal para até 14 anos, a depender da gravidade do delito.

Como reação, o líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), apresentou uma alteração para reduzir para 16 anos em casos de crimes hediondos.

Aliados de Alcolumbre afirmaram que a retirada de pauta ocorreu porque nem o governo nem a oposição teriam votos suficientes para aprovar suas emendas – e o cálculo, neste caso, seria de deixar o assunto para depois.

Emenda divide bancada do PT

Apesar de a ideia de Camilo neutralizar a proposta da oposição, a emenda apresentada dividiu a bancada do PT. Historicamente, a bancada do PT no Congresso Nacional se posicionou contra a redução da maioridade penal.

Diante da divisão na bancada governista e da proposta da oposição, o presidente do Senado retirou o tema da pauta com o argumento de que nem o governo nem a oposição teriam votos suficientes para aprovar suas as emendas.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou a PEC em 14 de outubro, antes do segundo turno das eleições. No mesmo dia, o Plenário aprovou um requerimento que permite acelerar a tramitação da matéria.

A medida dispensa as cinco sessões de discussão exigidas para a votação da proposta em primeiro turno e outras três necessárias para o segundo turno.

Lula se posicionou na sabatina da Globo

No mesmo dia em que o Senado retirou a PEC da pauta, em meio à divisão da bancada governista, o presidente Lula apoiou a emenda de Camilo Santana ao responder a uma pergunta sobre o tema durante sabatina na TV Globo.

“O meu pensamento, enquanto cidadão brasileiro, todo e qualquer crime hediondo, eu sou favorável a diminuir a pena. Para crimes hediondos. “Eu sou a favor, sou a favor”, afirmou o presidente.

Apesar de apoiar a mudança sugerida por Camilo, Lula defendeu que o tema ficasse fora da PEC da Segurança.

“Primeiro você discute a PEC, aprova a PEC e aí você pode discutir a maioridade penal ou não”, disse.

Governistas, como a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), também defendem essa posição.

Possibilidade de ‘fatiamento’

Caso os deputados aprovem algum trecho sobre a maioridade penal, o texto precisará voltar à Câmara para nova análise. Diante disso, governistas defendem “fatiar” a PEC.

Nesse cenário, deputados e senadores promulgam a parte já aprovada pelo Congresso, enquanto a Câmara dos Deputados analisa separadamente os trechos que ainda precisam de aprovação, como a redução da maioridade penal.

O que diz a PEC

A proposta estabelece na Constituição o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), com o objetivo de integrar a atuação das forças de segurança no combate ao crime organizado.

De acordo com o texto, União, estados e Distrito Federal poderão criar leis na área de segurança pública, incluindo forças-tarefa intergovernamentais, a organização das polícias e guardas municipais e o sistema socioeducativo.

Senado deve votar nesta terça PEC da Segurança Pública

 Outro ponto central da PEC da Segurança Pública é o combate a crimes violentos e facções criminosas:

  • Entre as medidas está a obrigatoriedade de prisão em estabelecimento penal de segurança máxima ou de natureza especial.
  • Também ficam proibidas ou restringidas a progressão de regime, a concessão de liberdade provisória, com ou sem fiança, e de saída temporária.

A PEC também permite a expropriação de todo e qualquer bem, direito ou valor econômico envolvidos com as atividades criminosas. As regras valem para organizações criminosas, paramilitares e de milícia privada.

A proposta permite ainda:

Criação de polícias municipais para o policiamento ostensivo e comunitário;

 Ampliação da atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para o policiamento de hidrovias e ferrovias, além de apoiar outras forças de segurança, quando requisitada pelo governador;

 Manter Polícia Federal e PRF sob competência privativa da União, assim como as normas para atividades de inteligência.

 Fonte: g1