Campo Grande recebe evento sobre produção de mandioca
Tecnologias de ponta e práticas inovadoras para a produção de mandioca de mesa foi o centro das atenções no evento III Dia de Campo da Mandioca, promovido (29), em Campo Grande, na sede do Cepaer (Centro de Pesquisa e Capacitação da Agraer).
O evento foi realizado pela Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural, Governo do Estado) e Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), em parceria com o Senar.
Ao todo, cerca de 200 pessoas, incluindo agricultores familiares, técnicos, pesquisadores e estudantes debateram as questões de cultivo da mandioca, novas tecnologias para o controle das principais pragas e plantas daninhas com o objetivo de reduzir custos, aumentar a produtividade e a renda dos produtores sul-mato-grossenses.
Esforço de fortalecimento do setor
O coordenador técnico do evento e pesquisador do Cepaer/Agraer, Eduardo Aguiar, destaca que a iniciativa fez parte de um esforço contínuo de fortalecimento do setor no Estado. “Trata-se de trabalho contínuo para avançar em produtividade, diversificação e renda para os nossos agricultores familiares. É uma cultura profundamente ligada ao hábito alimentar do nosso Estado, sendo o principal acompanhamento do tradicional churrasco sul-mato-grossense”, salienta.
O dia de campo ganhou ainda mais relevância diante dos dados oficiais do IBGE. Afinal, os números consolidam Mato Grosso do Sul como uma força expressiva no setor.
Nesse sentido, em 2025, o Estado registrou um valor de produção de R$ 871.588 mil. Além disso, os agricultores alcançaram uma quantidade produzida de 1.507.693 toneladas da raiz em uma área colhida de 62.546 hectares.
Por outro lado, com 12.329 estabelecimentos produtores registrados desde 2017, a cultura apresenta um rendimento médio de 24 toneladas por hectare. Desta forma, o município de Itaquiraí se destaca como o maior produtor do Estado.
Consequentemente, essa solidez atrai participantes de diversas regiões, mobilizando caravanas vindas de municípios vizinhos à capital. Ou seja, o público incluiu produtores de Sidrolândia, Terenos, Jaraguari, Nova Alvorada do Sul, Dois Irmãos do Buriti, São Gabriel do Oeste e Ribas do Rio Pardo, além de interessados vindos de outras cidades.
Quatro estações técnicas
Por fim, a dinâmica do evento dividiu-se de forma prática em quatro estações técnicas. Nesse contexto, os participantes percorreram oficinas ministradas por especialistas e empresas parceiras da extensão rural.
O percurso tecnológico seguiu com tópicos que evitam as principais perdas nos cultivos de mandioca. A Estação 3 trouxe as oportunidades no “Controle de pragas da mandioca com o uso de drones”. Nesse sentido, o tema teve a condução dos engenheiros agrônomos Douglas Pellin (Agraer) e Tiago Marques (Agrodrones).
Por fim, a Estação 4 abordou o “Controle do mato na cultura da mandioca”. Desta forma, a apresentação ficou sob a responsabilidade do engenheiro agrônomo do Senar, André Makio Kusano, que debateu o manejo integrado de plantas daninhas.
“Tivemos a demonstração de tecnologias inovadoras em todas as estações. O controle das principais pragas com o uso de drones agrícolas, por exemplo, é hoje uma realidade acessível aos pequenos produtores por meio da terceirização, oferecendo resultados comprovados mais baratos e que dispensam investimentos individuais em tratores, pulverizadores”, explica Eduardo.
Em um retrospecto das edições anteriores iniciadas em 2023, o pesquisador relembra os progressos acumulados que pavimentaram o encontro atual. “Nos encontros anteriores, tratamos de outros gargalos produtivos da mandioca de mesa no Estado, como épocas de plantio, qualidade culinária, calagem, adubação, variedades de mandioca e o controle da mosca-branca, hoje a principal praga dos mandiocais”, diz.
Atualmente, o Cepaer mantém em suas dependências a avaliação de 14 variedades de mandioca que são plantadas e colhidas anualmente. “Como a mandioca apresenta uma elevada interação com o ambiente, os produtores geralmente precisam trabalhar com no mínimo três variedades. Esse evento funciona como uma vitrine tecnológica, onde eles podem conhecer e escolher melhor as variedades, dependendo do solo, clima e da tecnologia de produção adotada por cada um”, afirma.
Fonte: Agraer




