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O Senado aprovou a PEC da Segurança sem redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. O texto recebeu unanimidade nas duas votações, com 73 votos favoráveis no primeiro turno e 75 no segundo, sem nenhum voto contrário. Foto: Marcos oliveira/agência senado

Senado aprova PEC da Segurança sem redução da maioridade penal

Senado separa discussão sobre maioridade penal e aprova PEC da Segurança para promulgação

O Senado aprovou, em dois turnos, ontem (3), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, sem incluir a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. O texto recebeu unanimidade nas duas votações, com 73 votos favoráveis no primeiro turno e 75 no segundo, sem nenhum voto contrário. Com a aprovação, a proposta segue para promulgação.

A decisão encerra um impasse entre governistas e oposição que havia provocado a retirada da matéria da pauta em 15 de outubro, pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A discussão sobre a maioridade penal surgiu durante a tramitação no plenário, por meio de emendas apresentadas por senadores, e não fazia parte do texto aprovado anteriormente pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Na sessão de ontem (3), os parlamentares decidiram retirar as propostas de mudança na maioridade penal da votação principal. Em vez de incorporá-las à PEC da Segurança, aprovaram um requerimento para que as sugestões sejam analisadas separadamente pela CCJ, por meio de novas propostas de emenda à Constituição.

O requerimento que permitiu a tramitação em separado recebeu 38 votos favoráveis e 36 contrários. Desse modo, a PEC da Segurança foi votada sem alterações de mérito em relação à versão aprovada pela comissão, evitando que o texto precisasse retornar à Câmara dos Deputados.

O que muda com a PEC da Segurança Pública?

A proposta, de autoria do governo federal, estabelece novas regras para organizar a atuação das forças de segurança e ampliar a cooperação entre União, estados, Distrito Federal e municípios.

Um dos principais pontos é a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição Federal. O objetivo, sobretudo, é fortalecer a integração das instituições, facilitar o compartilhamento de informações e permitir operações conjuntas no enfrentamento à criminalidade.

Entre as principais mudanças previstas estão:

  • Integração das forças de segurança: criação de mecanismos para atuação conjunta entre os governos federal, estaduais e municipais, com compartilhamento de informações e provas.
  • Ampliação das atribuições da PRF: a Polícia Rodoviária Federal poderá atuar também no policiamento de ferrovias e hidrovias federais.
  • Combate às facções e milícias: previsão de regras mais rigorosas para integrantes e líderes de organizações criminosas, considerando a posição hierárquica de cada envolvido.
  • Restrições penais: possibilidade de cumprimento de penas em estabelecimentos de segurança máxima, limitações à progressão de regime e a determinados benefícios processuais.
  • Confisco de bens: medidas para retirar patrimônio relacionado às atividades criminosas e responsabilizar empresas envolvidas.
  • Proteção a denunciantes: mecanismos de segurança para pessoas que colaboram com investigações e seus familiares.
  • Direitos das vítimas: inclusão na Constituição de garantias como proteção, assistência, acesso à Justiça, informação e participação no processo penal, com atenção especial às mulheres.

O texto também permite que os municípios criem polícias municipais para atuar no policiamento ostensivo e comunitário, desde que atendam aos critérios de formação, estrutura e fiscalização.

Outra medida é o fortalecimento das fontes de financiamento da segurança pública, com mecanismos para proteger recursos dos fundos nacionais do setor contra bloqueios e contingenciamentos.

Como ficaram as propostas de redução da maioridade penal?

Embora não tenham entrado na PEC da Segurança, os parlamentares não descartaram as emendas que tratam da redução da maioridade penal. Os senadores aprovaram a tramitação separada das duas propostas, que deverão passar por discussão própria.

Uma das emendas foi apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN). A proposta prevê reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos como regra geral e para 14 anos em casos específicos. Como crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e, além disso, participação em organizações criminosas.

A outra sugestão, apresentada pelo senador Camilo Santana (PT-CE), prevê a redução de 18 para 16 anos exclusivamente nos casos de crimes hediondos.

O senador Rogério Carvalho (PT-SE), relator da PEC da Segurança, defendeu que o Congresso debata o assunto separadamente. Pois considera que a mudança exige uma discussão mais aprofundada.

Por fim, com a decisão, a PEC da Segurança Pública poderá seguir para promulgação sem precisar retornar à Câmara dos Deputados. Já a discussão sobre a idade mínima para responsabilização penal continuará em tramitação própria no Congresso Nacional.

Fonte: Senado Federal