PEC que propõe redução da maioridade penal segue para comissão especial e plenário da Câmara
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou (10) a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos. O texto, relatado pelo deputado Coronel Assis (PL-MT), foi aprovado por 44 votos a 18 e seguirá para análise de uma comissão especial antes de eventual votação no Plenário da Câmara.
A versão aprovada difere da proposta original, que previa a redução da plena maioridade civil e penal para 16 anos. Caso essa versão fosse aprovada, adolescentes passariam a ter todos os direitos e deveres da vida adulta. Como celebrar contratos e casar-se sem autorização dos responsáveis. O texto atual restringe a mudança à esfera criminal e exclui outras implicações jurídicas.
Entendendo a emenda complementar
Segundo a PEC, a imputabilidade penal — ou seja, a responsabilização criminal — continuaria sendo aplicada a partir dos 18 anos para a maioria dos casos. A exceção seria para adolescentes de 16 e 17 anos que cometessem crimes hediondos, como homicídio qualificado, latrocínio e outros delitos considerados de extrema gravidade.
De acordo com Vitor Blotta, vice-diretor do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) e professor do Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes da USP. A votação realizada pela CCJ não aprovou a mudança em si. Mas apenas reconheceu que a proposta pode continuar tramitando por não apresentar incompatibilidades constitucionais.
Blotta ressalta, porém, que os atos infracionais cometidos por adolescentes representam uma parcela relativamente pequena do total de crimes registrados no País. Segundo ele, a discussão deve considerar não apenas a punição, mas também os mecanismos de prevenção e ressocialização previstos na legislação atual.
O professor destaca ainda que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê medidas socioeducativas voltadas à recuperação e à reintegração social dos jovens em conflito com a lei. Para ele, a inserção precoce de adolescentes no sistema prisional pode aumentar a exposição a organizações criminosas e dificultar os processos de reabilitação.
“O sistema estabelecido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente prevê medidas voltadas à ressocialização, considerando que se trata de pessoas em desenvolvimento. O sistema prisional brasileiro enfrenta problemas como superlotação e fortalecimento de redes criminosas, o que pode comprometer os objetivos de recuperação e reinserção social”, afirma o pesquisador.
Fonte: jornal da usp






