Pantanal fez parte da conferência da ONU
A experiência acumulada no Pantanal para prevenir e enfrentar incêndios florestais ganhou espaço nas discussões climáticas internacionais durante a SB64 (64ª Sessão dos Órgãos Subsidiários da Convenção), conferência da ONU (Organização das Nações Unidas), realizada em Bonn, na Alemanha. O tema foi debatido em um evento oficial que reuniu representantes de governos, agências internacionais, cientistas, organizações da sociedade civil e comunidades locais para discutir o avanço do MIF (Manejo Integrado do Fogo) como estratégia de enfrentamento às mudanças climáticas.
O painel, intitulado “From Action to Implementation: Scaling Fire Solutions to Reduce Wildfire Emissions” (“Da ação à implementação: ampliando soluções de manejo do fogo para reduzir emissões de incêndios”), foi proposto pelo SOS Pantanal em parceria com o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), a organização Uma Gota no Oceano e o Hub Global de Manejo do Fogo, da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura).
O encontro teve como foco transformar em ações concretas o Chamado à Ação pelo Manejo Integrado do Fogo e Resiliência a Incêndios Florestais, lançado pelo Brasil durante a Cúpula do Clima de Belém, às vésperas da COP30. O documento, que inicialmente contou com a adesão de 50 países, já reúne o apoio de 67 nações e quatro organizações internacionais.
Pantanal como referência
De fato, a participação do SOS Pantanal levou ao debate internacional importantes experiências desenvolvidas na região. Afinal, o local se tornou um dos biomas mais afetados por incêndios extremos nos últimos anos.
Nesse sentido, o Pantanal enfrentou uma sequência de grandes queimadas, especialmente a partir de 2020. Certamente, esses eventos destrutivos foram impulsionados por períodos prolongados de seca. Além disso, o bioma sofreu as consequências de condições climáticas cada vez mais severas.
Segundo o diretor de Comunicação do SOS Pantanal, Gustavo Figueirôa, a experiência construída no território demonstra a importância da atuação conjunta entre comunidades locais, organizações da sociedade civil e poder público.
“Trazer a experiência que tivemos no Pantanal nos últimos anos é muito valioso neste cenário global. Mostramos como a integração de quem está no território com o poder público e organizações não governamentais pode surtir efeito prático. Inclusive, ela pode escalar para uma política pública que ouve o território”, afirmou.
Nesse sentido, a proposta defendida durante o evento busca substituir a lógica baseada apenas no combate emergencial aos incêndios. Portanto, o objetivo é adotar uma estratégia permanente de prevenção, monitoramento e uso planejado do fogo. Para isso, a nova gestão vai incorporar tanto o conhecimento científico quanto os saberes tradicionais.
Fogo e mudanças climáticas
De fato, os participantes destacaram que os incêndios florestais passaram a representar uma grave ameaça. Afinal, eles prejudicam a biodiversidade e as comunidades que vivem em áreas naturais. Além disso, os incêndios se tornaram uma importante fonte de emissões de gases de efeito estufa.
Diante disso, o Manejo Integrado do Fogo tem sido apontado como uma ferramenta fundamental. Certamente, ele é capaz de reduzir emissões e aumentar a resiliência dos ecossistemas. Por consequência, a técnica consegue diminuir a ocorrência de incêndios de grandes proporções.
A discussão ocorre em um momento de crescente preocupação com a ocorrência de eventos climáticos extremos, como a aproximação do El Niño. Nos últimos anos, períodos de estiagem prolongada e temperaturas elevadas contribuíram para o aumento do risco de incêndios em diversas regiões do país.
Os organizadores esperam que as propostas debatidas na SB64 contribuam para a construção da agenda da COP31. A conferência ambiental ocorrerá em novembro deste ano, em Antália, na Turquia.
Fonte: Secom/Gov.br







