O pagamento de até R$ 50 milhões líquidos (descontados os impostos) deveria ser realizado em 36 meses por meio de transferência bancária da Viking Participações, empresa quem tem Vorcaro como sócio, para o escritório de advocacia ou “mediante dação em pagamento – de bens imóveis, móveis ou serviços”. Ou seja, era possível que o escritório de Viviane recebesse bens como pagamento.
Em um dos diálogos com Vorcaro, de 16 de maio de 2025, o advogado Leonardo Palhares envia duas propostas para quitação do contrato. Pela minuta apresentada, R$ 40 milhões seriam pagos mediante dação (entrega) de cotas de duas aeronaves, um jatinho e um helicóptero. E os R$ 10 milhões restantes por meio de reembolso das despesas causadas pelo uso das aeronaves.
“Os ativos mencionados seriam dois bens vinculados às empresas F24 (FRACTION 024 ADMINISTRACAO DE BEM PROPRIO S.A.) e F53 (PT-PCT ADMINISTRACAO DE BEM PROPRIO). A F24 é possuidora da aeronave modelo Legacy 650, prefixo PP-NLR, enquanto a F53 estava em fase de aquisição do helicóptero EC 155 B1, fabricado pela Airbus Helicopters”, escreveu a PF.
Em uma conversa reproduzida pela PF, Marcos da Mata, sócio de Vorcaro, perguntou a Viviane de Moraes: “Estão gostando da utilização das cotas de vocês?” Viviane respondeu: “Sim, estamos gostando muito”.
Após a divulgação do relatório, o escritório Barci de Moraes declarou em nota que não assinou um segundo contrato com empresas de Daniel Vorcaro e que não aceitou os termos do acordo. E que, por isso, não recebeu cotas de aeronaves ou outros ativos previstos na negociação.
Experiência de luxo em Campos do Jordão
Em dezembro de 2025, Vorcaro ofereceu um serviço de luxo a Moraes. Segundo a PF, o banqueiro promoveu uma recepção no Six Senses Botanique, hotel localizado na região de Campos do Jordão, em São Paulo, para uma comitiva relacionada nas mensagens a “Alex”.
De acordo com o relatório, a programação incluía almoço, contratação de um chef particular identificado como Zé Maria, passeios a cavalo e assistência de funcionários ligados a Vorcaro. O planejamento previa atendimento a nove convidados e quatro seguranças.
Em uma mensagem entre Vorcaro e um contato salvo como Thatiane Prime, ele avisa que dará um almoço no dia 30. “Tem que ser experiência completa. “Convidados ultra-vips”.
Viagem a Londres
Por outro lado, a investigação também trata da participação de Moraes no I Fórum Jurídico Londres-Brasil de Ideias. Realizado entre 24 e 27 de abril de 2024. Segundo o material reunido pela PF, despesas relacionadas à viagem seriam todas custeadas.
Em 28 de março de 2024, uma mensagem que teria sido enviada por Alexandre de Moraes ao ministro do STF Gilmar Mendes convidava o colega para o evento em Londres. “A estadia poderá ser até 28/4. É organizado pelo CONJUR, Correio Braziliense e Banco Master. Topa?”.
Esse e outros diálogos indicam ainda que Moraes participava das discussões sobre convidados, vetos e programação.
A organização da viagem incluía ainda uma estrutura específica de transporte terrestre para algumas das autoridades presentes no fórum. Segundo a investigação, disponibilizaram veículos Mercedes-Benz S-Class com motoristas para um grupo restrito de participantes considerados VIPs. Entre os beneficiados, a investigação citou Alexandre de Moraes e o ministro Dias Toffoli.
Por fim, na segunda edição do evento em 2025, que não chegou a acontecer, a funcionária de marketing Ana Matos envia mensagem a Vorcaro em abril. Informando que o assessor do ministro Alexandre havia ligado para tratar “sobre emissão do aéreo dele”. O banqueiro, então, responde: “Pode fazer”.