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Mineração de bitcoins começará em julho em MS, usando energia da cana-de-açúcar. A Adecoagro implantará o projeto na unidade de Ivinhema. Foto: Divulgação

Mineração de bitcoins começará em julho em MS usando energia da cana-de-açúcar

Operação inédita em MS utiliza energia da cana-de-açúcar para mineração de bitcoins a partir de julho

A mineração de bitcoins em escala industrial, utilizando energia renovável produzida a partir da cana-de-açúcar, deve começar no mês de julho em Mato Grosso do Sul (MS). O representante da Adecoagro, Mateus Lexugo, confirmou a previsão (1) durante o evento “Raízes do Futuro: tecnologia e inovação para construir o amanhã”, promovido pelo Governo do Estado em parceria com o Google.

A companhia implantará o projeto na unidade de Ivinhema. Consolidando sua estratégia de aproveitar a capacidade de geração de energia renovável para impulsionar iniciativas ligadas à tecnologia e à inovação.

Segundo Lexugo, a expectativa é que a operação entre em funcionamento no dia 1º de julho. Inicialmente, o data center utilizará 10 megawatts (MW) de energia e contará com 1.280 equipamentos dedicados à mineração de bitcoin. A estrutura, no entanto, foi planejada para futuras expansões e poderá alcançar consumo de até 40 MW.

“Hoje o projeto do Data Center surge como uma estrutura voltada para a mineração do bitcoin utilizando energia limpa proveniente da cana-de-açúcar. Inicialmente, o projeto vai utilizar 10 megawatts de energia, com 1.280 equipamentos na área de mineração. Esse projeto na unidade de Ivinhema pode ser aumentado até um consumo de 40 megawatts de energia”, afirmou.

Adecoagro e Tether unem forças para operação em MS

A Adecoagro e a Tether, uma das maiores empresas globais do setor de criptomoedas, anunciaram a parceria que deu origem ao empreendimento. Em julho de 2025, as empresas formalizaram um memorando de entendimento para desenvolver operações de mineração de bitcoin utilizando excedentes de energia renovável produzidos pelas usinas da companhia.

Durante a apresentação, Lexugo destacou que a iniciativa está diretamente ligada à estrutura energética já existente nas operações da empresa em Mato Grosso do Sul. A Adecoagro gera energia elétrica a partir de fontes renováveis com uma capacidade instalada de 230 MW. E atualmente exporta cerca de 67% dessa produção para o sistema.

Além da geração de energia, a empresa mantém uma ampla operação agroindustrial no Estado. Com mais de 200 mil hectares de cana-de-açúcar cultivados, produção diária de aproximadamente 3 mil toneladas de açúcar e 2.780 metros cúbicos de etanol.

“É justamente associando essa nossa capacidade energética, toda essa estrutura que a gente tem de bioenergia, que buscamos inovações tecnológicas para aplicação dessa energia, buscando desenvolvimento para o Estado e uma diversificação de renda”, explicou.

De acordo com ele, o objetivo principal do projeto não está na valorização ou comercialização do bitcoin. Mas sim na utilização da mineração como uma ferramenta para validar novas aplicações para a energia renovável produzida pela companhia.

Projeto busca novas aplicações para a bioenergia

“Um ponto importante é que o interesse da Adecoagro não é pelo criptoativo em si, mas em validar nossa infraestrutura de bioenergia com um processo de inovação tecnológica. Esse é o passo inicial para entrarmos em um desenvolvimento cada vez maior da utilização dessa energia renovável para projetos de evolução tecnológica”, afirmou.

A mineração de bitcoin consiste no processo de validação e registro das transações realizadas na rede da criptomoeda. A atividade exige elevado poder computacional e grande consumo energético. Como recompensa pela realização desses cálculos e pela manutenção da segurança da rede, os operadores recebem novos bitcoins.

Para a Adecoagro, a atividade pode servir como uma alternativa para agregar valor à energia produzida nas usinas, especialmente em momentos de excedente de geração.

Lexugo ressaltou ainda que o projeto coloca Mato Grosso do Sul em posição de destaque no cenário nacional de inovação tecnológica associada ao agronegócio e às energias renováveis.

“É o primeiro projeto em escala industrial desse tipo em Mato Grosso do Sul e também um dos primeiros no Brasil inteiro. Isso reforça ainda mais a posição do nosso Estado como referência no desenvolvimento tecnológico, principalmente pelo agronegócio”, declarou.

O anúncio amplia as informações antecipadas pelo governador Eduardo Riedel em junho do ano passado, quando revelou que uma empresa ligada ao setor de bitcoin instalaria um data center em Mato Grosso do Sul abastecido por energia limpa produzida localmente. Posteriormente, foi confirmada a parceria entre a Tether e a Adecoagro para viabilizar a iniciativa.

Com a previsão de início das operações em julho, o empreendimento passa agora da fase de planejamento para a etapa prática. Uma nova frente de utilização da bioenergia produzida no Estado, inserindo Mato Grosso do Sul em um segmento que combina agronegócio, energia renovável e infraestrutura digital de alta performance.

Fonte: Adecoagro