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Com foco na jornada pessoal de Peter Parker, Homem-Aranha: Um Novo Dia traz um refresco necessário para os filmes baseados em quadrinhos. Foto: Divulgação/Sony Pictures

HOMEM-ARANHA: ‘Um Novo Dia’ é um refresco para o personagem e para os filmes de heróis

O filme Homem-Aranha: Um Novo Dia estreia nos cinemas nesta quinta-feira (30)

Com uma saturação cada vez mais evidente de filmes baseados em histórias em quadrinhos, Homem-Aranha: Um Novo Dia, que chega aos cinemas nesta quinta-feira (30), é a construção de uma nova história icônica do super-herói e suas constantes decepções.

A trama segue o jovem Peter Parker (Tom Holland) sendo, mais uma vez, o Homem-Aranha. E uma vilã misteriosa com poderes mentais (Sadie Sink) que está ameaçando uma série de organizações governamentais. Em meio a essa situação, Peter também passa por certas mudanças físicas, que o deixam mais forte e mais perigoso.

A premissa é simples e segue os moldes de adaptações mais usuais de gibis. Mas a força do novo filme não recai, necessariamente, em sua narrativa, e sim na jornada pessoal do personagem para combater os seus problemas.

Peter enfrenta as consequências do que vimos em Homem-Aranha: Sem Volta para Casa. Ele é traumatizado pelo seu passado, enfrentando não somente a perda de sua tia, mas o esquecimento de todos ao seu redor em relação a quem ele é. O herói é frágil enquanto pessoa, mas sempre se mantém ligado a seu heroísmo quando necessita.

Tom Holland, mais uma vez sob a máscara do Homem-Aranha, tenta causar no espectador uma sensação de vazio. Um vazio que aumenta cada vez em que o personagem esquece de sua vida normal de estudante e foca somente na personalidade heroica.

A atuação definitiva de Tom Holland

Ele chora, se frustra e se fecha a tudo, mas sempre lembra de agir como um herói, sorrindo a todos que o acompanham e amam. É o ápice da interpretação de Holland com o personagem, em meio aos seus próprios contrastes.

A fotografia remete também a essa narrativa mais madura de um jovem frustrado. O filme usa extensos tons de cinza, cenários muito minimalistas e se poupa de muitas cores. Sempre focando no frio e nessa jornada de amadurecimento com a vida adulta que deve ser enfrentada pelo Aranha, aumentando a sensação de solidão.

Mesmo assim, as sequências de ação, agora dirigidas por Destin Daniel Cretton, se mantêm em um nível acima do que já foi feito com o protagonista em sua trajetória no Universo Cinematográfico da Marvel.

O diretor posiciona melhor os efeitos de slow motion, adota uma câmera menos dinâmica e reduz o uso de recursos digitais, tornando o dinamismo do longa mais compreensível e vibrante do que as câmeras tremidas utilizadas pelo diretor anterior, Jon Watts. Com isso, os golpes do Cabeça de Teia ganham mais intensidade.

Por fim, um dos principais pontos do longa não se mostra nessa jornada de grandes vilões e perigos iminentes, que também estão presentes, mas na pequena construção dos diálogos de Peter com as pessoas que fizeram e fazem um grande papel em sua vida. Como seus amigos.

Isso gera uma melancolia sempre presente, mas também um senso esperançoso pelo qual o personagem é conhecido.

Ao final, Homem-Aranha: Um Novo Dia, mesmo com aparições especiais e uma vilã não revelada ao público, volta às origens dos filmes de quadrinhos, sendo um filme mais minimalista sobre a sensação de ser o Homem-Aranha, um herói com o mundo sobre as costas. Com grandes tragédias pessoais, mas também com grandes responsabilidades.

Fonte: r7