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O governo brasileiro trabalha intensamente na última semana de negociações para tentar barrar a imposição de novas tarifas sobre produtos nacionais pelos EUA. Com a decisão prevista para quarta-feira, o Palácio do Planalto prepara estratégias diante da ameaça de sanções comerciais. Foto: Ricardo Stuckert/ PR

Governo brasileiro tenta barrar novas tarifas dos EUA em última semana de negociação

Governo brasileiro mantém negociações com EUA sob risco de tarifas de 25% sobre exportações nacionais

O prazo para que o governo dos EUA decida sobre a ampliação de novas tarifas sobre os produtos brasileiros acaba na próxima quarta-feira (15). A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o cenário mais provável é que os Estados Unidos decidam pelo tarifaço. Se aplicada, a medida vai representar uma elevação de 25% sobre as importações do Brasil.

Apesar disso, o petista reuniu auxiliares no Palácio do Planalto na última sexta-feira e pediu que as negociações continuem até o último dia.

Em reunião com os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, Lula avaliou o cenário e considerou que o caminho mais provável é de que haja a retaliação.

O presidente brasileiro mantém postura de que as tarifas são injustas e injustificáveis. E afirmou que a obrigação do governo é manter a negociação com os EUA até o último momento.

Possibilidade de mais uma reunião

Também se discutiu sobre a possibilidade de mais uma reunião com Jamieson Greer, Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), até a quarta-feira. O encontro não está marcado.

A avaliação é de que a sanção afeta setores inteiros da economia brasileira e que o Brasil não fará nenhuma concessão, como as que envolvam o Pix.

Desde a reunião de Lula com Donald Trump na Casa Branca em maio, quando se tratou do tarifaço, o governo brasileiro se reuniu quatro vezes com Greer.

Antecipação

O governo também espera que, se decidirem pelo tarifaço definitivo, os Estados Unidos antecipem os itens que serão tarifados antes do comunicado oficial.

Estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que 4,1 mil produtos exportados pelo Brasil aos EUA podem ser afetados pelo tarifaço, entre os quais: açúcar bruto, álcool etílico, molduras de madeira e hidróxido de alumínio.

A partir da decisão do governo americano na quarta-feira, o Palácio do Planalto vai calibrar uma resposta e passar a discutir a reação.

O governo ainda não discute, em detalhes, a possibilidade de reciprocidade no tarifaço, pois ainda considera imprevisível a lista de produtos que sofrerá as sanções.

Planejamento

Auxiliares de Lula explicam que é fundamental aguardar a decisão e ver item a item que sofrerá com a tarifa, para só então medir e planejar a reação do governo brasileiro.

O tarifaço foi sugerido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela política comercial do país, e classifica uma série de atos, políticas e práticas brasileiras como “irracionais” ou capazes de restringir o comércio norte-americano.

O presidente dos EUA, Donald Trump, determinou a abertura da investigação em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Instrumento já utilizado em disputas comerciais contra a China.

 Pix

Entre os principais pontos apontados pelos americanos está o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix.

Segundo o relatório, o Banco Central do Brasil atuaria simultaneamente como regulador e operador do sistema. Criando vantagens competitivas em relação a empresas privadas estrangeiras que oferecem serviços de pagamento digital.

Além disso, os EUA também questionam decisões de tribunais brasileiros envolvendo plataformas digitais.

Por fim, o documento afirma que autoridades judiciais emitiram ordens sigilosas para remoção de conteúdos políticos e suspensão de perfis em redes sociais. Inclusive de residentes nos Estados Unidos.

Fonte: extra