No momento, você está visualizando Governo brasileiro sugere medidas para contemplar EUA em negociação para impedir tarifaço
Governo brasileiro tenta barrar tarifaço americano de 25% com pacote de medidas técnicas. Saiba quais são as negociações em curso entre Brasil e EUA. Foto: Reprodução

Governo brasileiro sugere medidas para contemplar EUA em negociação para impedir tarifaço

Com “mapa do caminho”, governo busca medidas para contornar ameaça de tarifaço pelos EUA

O governo brasileiro decidiu apresentar aos Estados Unidos (EUA) um pacote de medidas que pretende adotar para contemplar os seis temas apontados na conclusão da investigação da gestão de Donald Trump com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana, com sugestão de adoção do tarifaço de 25% sobre produtos do país.

O governo chama as iniciativas internamente de “mapa do caminho” e as utiliza para dar um caráter objetivo às negociações e evitar a influência de fatores políticos. O prazo para que o governo dos Estados Unidos decida se adotará ou não as tarifas termina em 15 de julho.

De acordo com um integrante do governo brasileiro, as medidas não atendem necessariamente às demandas dos americanos. O principal argumento da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra o tarifaço é que os EUA possuem superávit comercial em transações comerciais com o Brasil. O que torna as sanções sem sentido.

Mesmo assim, há uma disposição de mostrar que há empenho em negociar. Um grupo de auxiliares de Lula acredita que os Estados Unidos implantarão o tarifaço porque os americanos não teriam interesse em entregar uma vitória política ao presidente brasileiro às vésperas da eleição.

O senador e pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, apresentou a ideia de adiar a decisão em um documento enviado ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). Órgão responsável pela investigação comercial. Um cenário visto como possível seria a postergação das tarifas. Já o convencimento de que o tarifaço não deve ser implantado não é considerado viável neste momento.

Desmatamento entra na pauta de negociação com os EUA

Algumas medidas propostas pelo Brasil no “mapa do caminho” já vinham sendo planejadas pelo governo. Um exemplo citado hipoteticamente é a adoção de novas iniciativas para reduzir ainda mais o desmatamento. Na conclusão da investigação, o USTR diz que o país deve ser taxado porque o desmatamento aumentou, mas embasa essa afirmação em dados de 2021. A gestão atual tem apontado que depois que Lula voltou ao poder a derrubada de vegetação caiu.

O Brasil propõe reduzir as tarifas de importação de produtos de setores dominados pelos EUA. Como máquinas, equipamentos da área da saúde e tecnologia da informação. As medidas estão sendo discutidas nas reuniões entre o ministro da Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, e o chefe da USTR, Jamieson Greer. Os dois realizaram ontem (2) a quinta reunião desde que os governos criaram o grupo de trabalho para discutir a questão tarifária entre os dois países. Após a visita de Lula a Trump na Casa Branca, em 7 de maio.

“Na reunião de hoje, seguimos debatendo as relações econômico-comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Contemplando análises concretas para os seis temas suscitados no contexto das investigações em curso no âmbito da Seção 301: comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal”, afirma a nota divulgada pelo Ministério da Indústria e Comércio (2).

Ainda segundo integrantes do governo, há pontos citados pela investigação americana, como Pix, que são inegociáveis. O USTR argumenta que o Brasil utiliza políticas desleais para favorecer o Pix em detrimento de empresas de serviços de pagamento eletrônico dos Estados Unidos. Os Estados Unidos fizeram os questionamentos ao Pix dentro do tema “comércio digital”.

Fonte: extra