Ministério da Fazenda projeta inflação no limite da meta diante da guerra no Oriente Médio e dos preços do petróleo, mas mantém previsão para o PIB
Com os impactos da guerra e do petróleo nas contas públicas, a Fazenda elevou para 4,5% a projeção da inflação para este ano, levando a estimativa oficial ao limite máximo da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A revisão consta no Boletim Macrofiscal divulgado (18) pela Secretaria de Política Econômica (SPE) e reflete os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços internacionais do petróleo. O governo manteve a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,3% neste ano e em 2,6% para 2027.
Inflação revisada
Segundo a equipe econômica, a principal pressão veio da disparada do petróleo no mercado internacional. Que ultrapassou os US$ 110 por barril em meio às tensões no Golfo Pérsico.
“A perspectiva de maior inflação no ano reflete, principalmente, desdobramentos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e seus derivados”, informa a Secretaria de Política Econômica no relatório.
“Parte do impacto do choque nos preços do petróleo será contrabalanceada pelos efeitos do real mais apreciado. E por medidas mitigatórias adotadas pelo Governo Federal”, destacou o documento.
Com a revisão, a projeção oficial ficou exatamente no teto do sistema de metas contínuas de inflação. Que estabelece centro de 3% e intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
PIB mantido
Apesar da deterioração do cenário inflacionário, o Ministério da Fazenda manteve em 2,3% a projeção de crescimento econômico para este ano. A equipe econômica manteve a expectativa de 2,6% para 2027 e projeta o mesmo patamar para os anos seguintes.
A avaliação da equipe econômica é de que o ritmo da atividade deverá desacelerar nos próximos trimestres em razão dos efeitos da política monetária restritiva. Mas com retomada gradual no fim do ano.
“No primeiro trimestre, a projeção agregada também foi preservada. Embora com alterações de composição: a indústria passou a contribuir menos, os serviços ganharam participação e a agropecuária manteve sua contribuição”, informa a SPE.
O governo prevê desaceleração mais forte nos segundo e terceiro trimestres, seguida de recuperação parcial da indústria no fim do ano.
Mercado diverge
As estimativas do governo seguem mais otimistas do que as do mercado financeiro. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo Banco Central, os analistas projetam inflação de 4,92% neste ano e, além disso, crescimento econômico de 1,85%.
A Secretaria de Política Econômica afirmou que acompanha os riscos internacionais. Mas destacou a resiliência do mercado de trabalho brasileiro como fator de sustentação da atividade.
Ganho de arrecadação
A alta do petróleo também deverá reforçar as receitas do governo federal. De acordo com cálculos da Secretaria de Política Econômica, o choque nos preços da commodity pode elevar a arrecadação em cerca de R$ 8,5 bilhões por mês.
O cálculo considera receitas provenientes de royalties, dividendos, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Imposto de Exportação ligados ao setor petrolífero.
“O ganho arrecadatório viabiliza uma resposta fiscal firme e responsável, aliada da política monetária e do compromisso com a consolidação em curso”, destaca a SPE.
Fonte: agência brasil






