Com reeleição de Lula, Ibovespa cai quase 14% e mercado financeiro reage com forte aversão ao risco
A reeleição de Lula (PT) provocou forte turbulência na bolsa brasileira ontem (26), levando o Ibovespa, principal índice da B3, a cair mais de 10% nos primeiros minutos de negociação e acionar o circuit breaker.
Circuit breaker é um mecanismo utilizado pela bolsa para interromper temporariamente as negociações quando o mercado de ações registra quedas muito bruscas. O objetivo é dar tempo para que os investidores reavaliem suas decisões e reduzam o risco de movimentos desordenados de compra e venda. Após a interrupção, os negócios são retomados.
Grandes bancos e Petrobras caem
A onda de perdas na bolsa atingiu também algumas das maiores empresas do mercado brasileiro, cujas ações têm peso relevante no Ibovespa.
Conhecidos como “blue chips”, esses papéis incluem os de grandes bancos, da Petrobras e da Vale, mas tiveram desempenhos diferentes no pregão desta segunda-feira.
Entre os bancos, o Banco do Brasil registrou a maior queda, de 27,31%. As ações preferenciais do Bradesco recuaram 21,70%, enquanto as ordinárias caíram 20,65%. O BTG Pactual perdeu 24,83%, e o Itaú Unibanco teve baixa de 13,66%.
A Petrobras também fechou em queda, com recuo de 8,18% nas ações preferenciais e de 6,81% nas ordinárias.
O desempenho dessas empresas tem impacto importante sobre o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, porque cada ação tem um peso diferente em sua composição. Quanto maior essa participação, maior a influência da variação do papel sobre o resultado do indicador.
Dólar favorece exportadoras em dia de turbulência
Entre as ações que fecharam em alta ontem (26), a Suzano teve um dos melhores desempenhos, com valorização de 10,08%. Por outro lado, A Embraer subiu 8,89%, a WEG avançou 5,10%, e a Klabin ganhou 3,24%. A Vale também encerrou o pregão no positivo, com alta de 4,01%.
Parte desse desempenho pode ser explicada pela alta do dólar, que encerrou o dia com alta de 8,21%, cotado a R$ 5,4027. A moeda americana estava cotada (23) a R$ 4,99.
Segundo João Daronco, analista da Suno Research, empresas que recebem parte de suas receitas em moeda estrangeira podem se beneficiar quando a cotação da moeda americana sobe, já que esses valores, convertidos em reais, passam a representar mais dinheiro.
O movimento, porém, não favorece todas as empresas. Daronco também destacou o impacto da alta dos juros futuros sobre companhias mais endividadas.
Com a revisão das expectativas para a economia, as taxas de juros de longo prazo subiram, o que pode encarecer o financiamento e prejudicar empresas que dependem de crédito. Essas companhias vinham se beneficiando de condições de financiamento mais favoráveis.
Para Daronco, as oscilações devem continuar nos próximos dias e semanas, enquanto o mercado avalia os desdobramentos do resultado eleitoral. Sob esse cenário, o analista recomenda cautela.
Fonte: g1



