De olho na governabilidade, Lula aposta na eleição da Câmara e do Senado para garantir apoio em seu quarto mandato
Em janeiro de 2027, Lula iniciará seu quarto mandato diante de um Congresso ainda mais de direita e bolsonarista, e a eleição para as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado será fundamental para garantir a governabilidade do petista.
O PL, partido de Flávio Bolsonaro, candidato a presidente derrotado nas eleições deste ano, elegeu 121 deputados federais, cerca de um quarto das cadeiras da Câmara, e terá a maior bancada do Senado, com 29 integrantes. Já os partidos de esquerda somam 124 deputados e 16 senadores, cenário que impõe dificuldades à construção de uma maioria governista.
No início do terceiro mandato, Lula precisou ampliar o espaço de partidos do Centrão no governo, inclusive com a entrega de ministérios, para fortalecer sua base parlamentar. A estratégia de negociação com outras legendas deverá continuar sendo fundamental no próximo mandato, segundo avaliam em Brasília deputados e senadores ligados à Lula.
Na Câmara, o atual presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve contar com o apoio de Lula e do PT novamente na tentativa de recondução. Motta conseguiu reunir apoio de um bloco de sete partidos após o primeiro turno e tem uma recondução mais fácil. Ele conta com os apoios do União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania, Podemos, PSB, PDT e PV, formando um grupo de 273 deputados.
Disputa pela presidência do Senado preocupa o governo Lula
A disputa pelo comando do Senado, no entanto, preocupa o governo. Davi Alcolumbre (União-AP), atual presidente, apoiou Lula durante a campanha e não terá o apoio da bancada do PL. A eleição para a presidência do Senado exige ao menos 41 votos, em uma casa com 81 integrantes. A conta apresentada pelo senador eleito Ubiratan Sanderson (PL-RJ) indica que a oposição poderia reunir apoio suficiente para eleger um nome alinhado à direita.
Direita projeta maioria para comandar o Senado
No cálculo do senador, a direita tem 48 integrantes da próxima composição da Casa, número que seria suficiente não apenas para eleger o presidente, como para realizar impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). “Temos 7 votos mais do que o necessário para eleger um presidente do Senado de direita. “Zero chance do atual presidente permanecer”, projetou Sanderson.
Motta e Alcolumbre foram aliados importantes de Lula ao longo do ano. A relação entre o petista e Alcolumbre, porém, passou por um período de desgaste após a rejeição, pelo Senado, da indicação do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, ao STF.
Reaproximação com o governo
Lula atribuiu a derrota a uma articulação conduzida pessoalmente por Alcolumbre, que defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga. Após a reaproximação, em agosto, Alcolumbre passou a pautar projetos de interesse do governo. Alcolumbre e Motta foram (26) ao Palácio da Alvorada para cumprimentar Lula pela vitória nas urnas. Ademais, os dois também discutiram com o presidente os planos para o próximo mandato.
Em declaração divulgada após a reunião, Alcolumbre reafirmou o compromisso com o diálogo institucional e a construção de entendimentos entre os Poderes. “Os brasileiros esperam de nós resultados. Temos muito trabalho pela frente”, afirmou. Mota frisou que o encontro foi uma demonstração de “diálogo, respeito institucional e compromisso com o futuro”
Presidência da Câmara e do Senado influenciam a agenda do governo
Além de garantir a governabilidade, o comando das duas Casas será estratégico para Lula não apenas na aprovação de projetos econômicos, mas também na condução de pautas institucionais e na resposta a eventuais iniciativas da oposição. Caso aliados do presidente não consigam manter influência sobre as presidências, o governo poderá enfrentar maiores dificuldades para definir prioridades legislativas e conter crises políticas.
Logo após a confirmação da vitória (25), Lula mandou um recado direcionado ao novo Congresso. Afirmou que nenhum deputado ou senador é obrigado a gostar dele, mas que pretende governar junto com o Parlamento.
“Já tem gente falando: ‘O Lula vai ter muita dificuldade para governar porque o Congresso está mais conservador’. “Eu não escolhi o Congresso; foi o povo que escolheu, e é com ele que eu vou trabalhar e vou aprovar as coisas”, enfatizou Lula.
Fonte: terra



