No momento, você está visualizando Comissão aprova projeto que equipara comércio de cigarro ilegal ao tráfico de drogas
Comissão da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei 4495/24 que equipara comércio de cigarro ilegal ao tráfico de drogas. Foto: Reprodução

Comissão aprova projeto que equipara comércio de cigarro ilegal ao tráfico de drogas

A comissão aprovou proposta que equipara o comércio de cigarro ilegal ao tráfico de drogas, prevendo penas mais duras e ampliando medidas contra organizações criminosas envolvidas na venda e distribuição do produto no Brasil

A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 4495/24, que equipara o comércio ilegal de cigarro ao tráfico de drogas, sujeitando os infratores a penas de reclusão de 5 a 15 anos e pagamento de multa.

A medida altera a Lei Antidrogas para dar o mesmo tratamento penal a quem produz, distribui ou vende produtos derivados do tabaco contrabandeados. Falsificados ou sem registro na Anvisa e na Receita Federal.

De autoria do deputado Coronel Meira (PL-PE), o texto estabelece que a punição será aplicada independentemente da quantidade apreendida. Além da pena de prisão, a proposta estende aos crimes com cigarros ilegais a proibição de fiança e de benefícios como indulto e anistia. Além disso, o projeto também permite que o juiz suspenda o funcionamento de estabelecimentos envolvidos e determine a inaptidão do CNPJ das empresas.

O relator, deputado Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP), recomendou a aprovação da matéria. Ele citou, contudo, dados do Anuário de Mercados Ilícitos Transnacionais em São Paulo (2024), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que apontam que o mercado ilegal de cigarros movimenta pelo menos R$ 7,41 bilhões apenas no estado paulista.

Segundo o levantamento, cerca de 30% dos cigarros consumidos no Brasil são falsificados ou contrabandeados. “O comércio ilícito atua como fonte alternativa de renda e de acumulação de riqueza para facções criminosas, substituindo ou complementando o tráfico de drogas e contribuindo diretamente para o aumento da violência”, afirmou o relator.

Riscos à saúde

O relatório aprovado destaca ainda os riscos à saúde pública. Uma vez que os produtos ilegais não passam por controle sanitário e podem conter substâncias tóxicas desconhecidas. A concorrência desleal com a indústria nacional, que paga impostos elevados, também justificou o endurecimento da lei.

“A proposta, ao estender às infrações relacionadas ao cigarro ilegal os instrumentos de persecução já previstos na Lei Antidrogas – como a proteção de testemunhas e a perda de bens – supre lacuna histórica na repressão ao financiamento ilícito que sustenta o crime organizado”, disse Bilynskyj.

Próximos passos

Por fim, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania ainda analisará o projeto. O Plenário também analisará a proposta. Para virar lei, a Câmara e o Senado precisam aprová-la.

Fonte: câmara dos deputados