No momento, você está visualizando Carro a hidrogênio entra em testes para desafiar recorde mundial de velocidade
Conheça a engenharia por trás do carro movido a hidrogênio que pretende reescrever a história da velocidade e conquistar um novo recorde. Foto: Reprodução/James Arbuckle

Carro a hidrogênio entra em testes para desafiar recorde mundial de velocidade

Com 1.600 cavalos de potência, carro a hidrogênio da JCB entra em fase final de testes para desafiar o recorde mundial de velocidade

Há um ano, o projeto existia apenas nas telas dos engenheiros. Hoje, o carro de recorde de velocidade movido a hidrogênio da JCB está rodando em um aeródromo britânico e se preparando para uma investida na história do automobilismo.

A fabricante britânica de equipamentos de construção concluiu o desenvolvimento do JCB Hydromax, um veículo construído especificamente para desafiar o recorde mundial de velocidade em terra movido a hidrogênio. Os testes já estão em andamento na RAF Wittering, em Cambridgeshire, e o carro já completou suas primeiras passagens em alta velocidade antes de uma tentativa planejada de recorde no fim do verão no Hemisfério Norte, nas Bonneville Salt Flats, em Utah.

O esforço representa, até agora, a demonstração mais visível da ofensiva de uma década da JCB em motores a combustão movidos a hidrogênio, uma área defendida pelo chairman Anthony Bamford por meio de um programa de investimento de US$ 134 milhões. Além disso, os mesmos motores a hidrogênio que impulsionam o Hydromax já estão sendo instalados em escavadeiras JCB de produção.

A empresa planeja transportar o carro para os Estados Unidos no próximo mês em preparação para a Speed Week, o encontro anual de pilotos de recorde de velocidade em Bonneville. Após esse evento, a JCB buscará recordes oficialmente reconhecidos e homologados pela Fédération Internationale de l’Automobile (FIA), entidade máxima do automobilismo.

Carro a hidrogênio entra em testes para desafiar recorde mundial de velocidade

“Doze meses atrás, este carro era um conjunto de desenhos discutidos por uma sala cheia de engenheiros”, disse Bamford. “Hoje ele é uma realidade, sobre rodas, funcionando e sendo testado no Reino Unido.”

O projeto Hydromax foi do conceito à pista de testes em pouco mais de um ano. A primeira reunião técnica envolvendo as parceiras de engenharia Prodrive, Ricardo e Xtrac aconteceu em junho de 2025. Quase exatamente um ano depois, o veículo concluído rodou pela primeira vez no asfalto da RAF Wittering movido por sua própria força a hidrogênio.

O programa de testes foi concebido para fazer muito mais do que avaliar velocidade pura. Os engenheiros estão colocando todos os principais sistemas à prova, incluindo o conjunto motriz de motor duplo, a transmissão com tração nas quatro rodas, os sistemas de resfriamento, os freios e a eletrônica de controle desenvolvida sob medida. Além disso, as equipes também estão ensaiando os procedimentos de reabastecimento com hidrogênio e as operações de pit stop que podem se revelar críticas durante as tentativas de recorde nas Salt Flats.

À frente do esforço de engenharia está o diretor de engenharia da JCB, Ryan Ballard, que diz que o foco mudou da simulação para a realidade.

“Mais de 150 mil horas de trabalho nos trouxeram até este ponto”, disse Ballard. “A próxima fase é quando descobrimos o que o carro realmente faz, e não o que achamos que ele fará.”

Com 9,7 metros de comprimento, o Hydromax é movido por dois motores JCB a combustão de hidrogênio modificados, que juntos produzem 1.600 cavalos de potência. Embora o veículo tenha sido projetado especificamente para velocidade, muitos de seus componentes centrais vêm de máquinas de produção. O virabrequim, por exemplo, é o mesmo usado nos atuais motores 448 a hidrogênio e diesel da JCB.

Desafios extremos de engenharia em alta performance

Os desafios de engenharia são substanciais. Em potência máxima, os pistões exigem um litro de óleo de resfriamento por segundo para evitar superaquecimento. Os turbocompressores de titânio giram a mais de 150 mil rpm enquanto lidam com temperaturas próximas de 300 graus Celsius. Juntos, eles movem ar suficiente para encher uma banheira a cada meio segundo.

Apesar desses números de desempenho, o perfil de emissões continua incomum para um veículo projetado para atingir velocidades acima de 563 km/h. Espera-se que uma tentativa completa de recorde consuma pouco mais de dois quilos de combustível de hidrogênio e produza aproximadamente 18 litros de água.

O homem ao volante será um dos pilotos de recorde de velocidade mais experientes da história. O Wing Commander Andy Green, o primeiro e único piloto a quebrar a barreira do som em terra, pilotará o Hydromax. Por outro lado, Green também conduziu o JCB Dieselmax ao recorde de velocidade em terra para veículos a diesel de 563 km/h em Bonneville, em 2006, marca que segue de pé até hoje.

Potencial de evolução e vantagem sobre o Dieselmax

A JCB acredita que o Hydromax pode superar esse parâmetro. Em comparação com o Dieselmax, o novo carro é mais leve, mais potente e foi projetado com base nas lições aprendidas em quase duas décadas de corridas de velocidade em terra.

A tentativa de recorde acontece em um momento significativo para a empresa. A JCB está se preparando para abrir uma nova instalação fabril de US$ 500 milhões em San Antonio, Texas. Onde até 1.500 pessoas construirão equipamentos para o mercado norte-americano.

Para a JCB, porém, Bonneville é mais do que publicidade. A empresa vê o recorde de velocidade em terra com hidrogênio como um teste de alta visibiliddade para uma tecnologia que espera que desempenhe um papel importante no futuro dos equipamentos pesados.

Por fim, as Salt Flats decidirão ainda este ano se esse futuro chegará a 563 km/h ou mais.

Fonte: forbes