BNDES amplia limite de financiamento para R$ 1 bilhão e fortalece o setor de infraestrutura ferroviária no país
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) dobrou o limite de financiamento para aquisição e fabricação de trens, vagões e locomotivas, ampliando o apoio à infraestrutura ferroviária. Segundo Felipe Borim, superintendente de Infraestrutura do banco, o teto anual por grupo econômico passou de R$ 500 milhões para R$ 1 bilhão, em uma mudança aprovada há cerca de 15 dias.
“Esperamos fazer financiamentos relevantes ainda neste ano com esse recurso e, com isso, trazer mais investimento ao setor”, disse Borim.
A ampliação ocorre após a inclusão do material rodante nas linhas de financiamento do Fundo Clima, no início de 2026. A medida permite financiar tanto a fabricação de trens quanto a compra de equipamentos pelas empresas de transporte ferroviário. Segundo Borim, a mudança atende a uma demanda do setor e, desse modo, pode estimular investimentos na indústria nacional, além de contribuir para a descarbonização do transporte.
A medida faz parte de um movimento mais amplo de mudanças na atuação do BNDES no financiamento da infraestrutura. Desde 2023, o banco tem buscado ampliar o uso de instrumentos de mercado de capitais e desenvolver novas estruturas de crédito para viabilizar investimentos, em um cenário no qual o financiamento privado ganhou participação.
Novas formas de financiar a infraestrutura
De acordo com Borim, o BNDES deve encerrar o ciclo iniciado em 2023 com mais de R$ 300 bilhões em aprovações de financiamento para infraestrutura. Aproximadamente 80% dos recursos, segundo ele, são concedidos sem subsídios.
O executivo atribui parte dessa transformação ao uso crescente de debêntures, que permite ao banco dividir operações com investidores e instituições financeiras. Ademais, o instrumento também possibilita que o BNDES venda títulos no mercado secundário e recicle seu balanço para apoiar novos projetos. “Foram mudanças estruturantes na maneira como o BNDES opera infraestrutura. “A maioria dessas aprovações são com debêntures incentivadas”, afirmou Borim.
Borim afirma que, em 2010 e 2011, cerca de 90% do financiamento de projetos de infraestrutura dependia do BNDES. Hoje, segundo sua estimativa, o banco responde por aproximadamente 30% dos investimentos do setor, enquanto o mercado de capitais participa com cerca de 60%. “Com essa atuação, fazemos operações muito relevantes, muito grandes, trazemos o mercado junto, os bancos, até os investidores, pessoa física”, disse.
Outra frente de atuação envolve estruturas de financiamento de longo prazo, especialmente para projetos que enfrentam dificuldades com os juros elevados. O banco desenvolveu mecanismos que permitem fechar antecipadamente o financiamento de um empreendimento e estabelecer períodos futuros para que a empresa amplie sua alavancagem.
Por fim, Borim citou como exemplo o financiamento do Bloco SP-MS-PA-MG, que inclui o aeroporto de Congonhas, em uma operação de R$ 5,7 bilhões estruturada com emissão de debêntures em conjunto com o Santander. Nesse caso, de 60% a 70% dos recursos ainda poderão ser alavancados entre 2030 e 2032.
Fonte: exame




