Durante evento em NY, Trabuco destaca potencial do Brasil e defende ajuste fiscal para consolidar as relações econômicas com os EUA
O Brasil e os EUA vivem um momento de fortalecimento das relações econômicas e empresariais, afirmou Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do conselho de administração do Bradesco, em entrevista à CNN Brasil durante a Brazil Week, em Nova York.
Segundo Trabuco, a agenda de encontros entre empresários, investidores e autoridades brasileiras e norte-americanas mostra que há espaço para ampliar a cooperação entre os dois países em áreas como investimentos, tecnologia, sustentabilidade, mercado financeiro e infraestrutura.
“Brasil e Estados Unidos fortalecem laços”, disse Trabuco à CNN Brasil, ao comentar o ambiente de aproximação entre lideranças dos dois países.
Brasil em evidência
Para Trabuco, o Brasil tem condições de ganhar relevância no cenário internacional por combinar mercado consumidor expressivo, sistema financeiro sólido, potencial energético e capacidade produtiva.
O presidente do conselho do Bradesco afirmou que o país precisa aproveitar o interesse externo para apresentar melhor suas oportunidades de investimento. E, dessa forma, reduzir ruídos sobre o ambiente econômico brasileiro.
Na visão dele, a aproximação com os Estados Unidos pode contribuir para destravar projetos em diferentes setores. Especialmente quando associada a uma agenda de estabilidade, previsibilidade e segurança para investidores.
“O Brasil tem muito a oferecer. É um país com escala, recursos naturais, empresários preparados e um sistema financeiro que é reconhecido internacionalmente”, afirmou.
Juros e política econômica
Ademais, Trabuco também defendeu que o Brasil precisa alinhar as políticas fiscal e monetária para reduzir a pressão sobre os juros. Durante evento da Brazil Week, o executivo afirmou que juros reais em torno de 10% são “proibitivos” para empresas, pessoas e para o Tesouro Nacional.
Segundo ele, sem coordenação entre o controle das contas públicas e a condução da política monetária, o país tende a conviver por mais tempo com taxas elevadas.
A avaliação é de que juros altos encarecem o crédito, reduzem a capacidade de investimento das empresas e, além disso, pressionam o custo de financiamento da dívida pública.
“Se o país não for capaz de fazer o alinhamento da política fiscal e da política monetária, teremos a necessidade de taxas de juros altas”, disse Trabuco durante a conferência.
Sistema financeiro
Por outro lado, o executivo também destacou a solidez do sistema financeiro brasileiro como um dos ativos do país na comparação internacional. Para Trabuco, bancos, empresas e instituições brasileiras têm capacidade de dialogar com investidores globais e participar de uma agenda de integração econômica mais ampla.
Na avaliação dele, o Brasil não parte de uma posição de fragilidade. O país tem desafios conhecidos, como juros altos, insegurança jurídica e necessidade de avanço fiscal. Mas também possui vantagens competitivas que podem ser mais bem exploradas.
Entre essas vantagens, Trabuco citou a sofisticação do setor financeiro, a digitalização dos serviços bancários, a agenda de sustentabilidade e, além disso, a experiência brasileira em setores como agronegócio, energia e infraestrutura.
Relação bilateral
A fala de Trabuco se soma à percepção de empresários brasileiros de que a Brazil Week se tornou uma vitrine para apresentar oportunidades do país a investidores estrangeiros.
A programação em Nova York tem reunido nomes do setor privado, mercado financeiro e autoridades para debater o papel do Brasil no comércio internacional e na nova configuração das cadeias globais.
Para o presidente do conselho do Bradesco, a relação com os Estados Unidos deve ser construída de forma pragmática. Sobretudo, com foco em investimentos, inovação e geração de valor.
“A aproximação entre Brasil e Estados Unidos é positiva para os dois lados. O importante é transformar esse diálogo em projetos concretos”, afirmou.
Trabuco avalia que, em um ambiente global marcado por disputas geopolíticas e reorganização produtiva, o Brasil pode se posicionar como parceiro relevante dos Estados Unidos em diferentes frentes.
Em conclusão, segundo ele, o país precisa aproveitar o momento para reforçar sua imagem institucional. Além de ampliar a previsibilidade econômica e mostrar que tem condições de receber investimentos de longo prazo.
“Quando há confiança, há investimento. E, quando há investimento, há crescimento, emprego e desenvolvimento”, disse.
Fonte: cnn



