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Em coletiva sobre tarifaço dos EUA, Alckmin defende a Lei da Reciprocidade como instrumento de correção, e não de retaliação "olho por olho". Foto: Valter Campanato/agência brasil

Diálogo: Alckmin diz que Lei da Reciprocidade não prevê retaliação ao tarifaço dos EUA

Alckmin descarta retaliação contra os EUA e afirma que Lei da Reciprocidade visa corrigir injustiças comerciais com diálogo e cautela

Após uma tarde de reuniões entre o governo brasileiro e representantes do setor produtivo para discutir a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou (21), durante coletiva, que a Lei da Reciprocidade não significa uma retaliação contra os EUA. “Olho por olho pode deixar os dois cegos”, disse Alckmin.

“Foi aprovada uma lei, a Lei da Reciprocidade, por unanimidade. É um processo que tem um conjunto de etapas, passando por audiências públicas. A ideia não é uma retaliação, dizer que é olho por olho, porque o que pode acontecer é os dois ficarem cegos. Então, a reciprocidade é dizer: ‘Olha, nós estamos sendo injustiçados e nós queremos corrigir isso. “Nós temos instrumentos para fazê-lo, no momento oportuno e adequado”, afirmou o vice-presidente.

Durante a coletiva, Alckmin voltou a classificar a tarifa anunciada pelos Estados Unidos como “injusta” e destacou que o país norte-americano mantém superávit na balança comercial com o Brasil.

“Quero destacar primeiro que a medida é injusta, porque os EUA têm superávit na balança comercial com o Brasil; eles vendem mais para nós do que nós para eles. A nossa tarifa média é 3,1%, não é 25%, e, dos 10 produtos que eles mais exportam, em sete a tarifa é zero”, argumentou.

Governo busca apoio aos setores afetados pelo tarifaço dos EUA

Alckmin afirmou ainda que o governo tem priorizado o diálogo com os setores mais afetados pela medida. Seguindo orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, os produtos atingidos representam cerca de 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, o equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões.

O vice-presidente ressaltou que, apesar do impacto da tarifa, o Brasil registrou recorde de exportações no ano passado e defendeu a diversificação dos mercados compradores. Nesse contexto, citou o acordo entre Mercosul e União Europeia e afirmou que a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) terá papel estratégico na abertura de novos mercados.

“Estamos ouvindo o setor. Eles precisam de crédito para poder se preparar, ter mais investimentos, capital de giro, postergar o drawback, ter competitividade. Vamos setor por setor, ouvir sempre. E o que depender do Brasil, negociar sempre, e vamos tentar resolver essas questões”, salientou.

As reuniões realizadas ontem (21) fazem parte da estratégia do governo para avaliar os impactos da tarifa anunciada pelos Estados Unidos e discutir medidas de apoio aos setores mais afetados. Ao mesmo tempo em que busca manter aberta a via diplomática para uma solução negociada.

Fonte: r7