Com foco em alimentos e comércio, o agro lidera destinação de recursos na primeira fase do plano Brasil Soberano
As atividades ligadas ao agro concentraram cerca de R$ 7,7 bilhões em financiamentos aprovados no âmbito do Plano Brasil Soberano em 2025, do total de R$ 19,584 bilhões disponíveis no programa, 40% dos recursos foram voltados para a fabricação de alimentos, agricultura e pecuária, produtos de madeira e à cadeia de couro e calçados.
Segundo relatório de execução do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento), o programa destinou o maior volume de recursos à fabricação de produtos alimentícios, que somou R$ 4,159 bilhões em operações aprovadas. Sozinha, a atividade concentrou cerca de 21% do valor total financiado.
Em seguida aparecem o comércio atacadista — segmento que inclui tradings e representantes comerciais ligados às exportações —, com R$ 1,987 bilhão; a fabricação de produtos de madeira, com R$ 1,854 bilhão; e a agricultura, pecuária e serviços relacionados, que receberam R$ 917 milhões.
Segundo o documento, as empresas usaram o crédito principalmente para reforçar o capital de giro, diversificar mercados de exportação e financiar investimentos na adaptação da produção diante do aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Como o dinheiro foi utilizado
O programa contemplou mais de 30 atividades econômicas com suas linhas de crédito. O financiamento foi destinado para:
- Capital de giro emergencial;
- Capital de giro destinado à diversificação das exportações;
- Aquisição de máquinas e equipamentos;
- Investimentos voltados à adaptação da atividade produtiva;
- Fortalecimento das cadeias produtivas;
- Inovação tecnológica e adaptação de produtos, serviços e processos para ampliar mercados.
O relatório mostra que o programa destinou a maior parte dos recursos às linhas de capital de giro das empresas.
O governo direcionou R$ 10,028 bilhões do total aprovado para operações de Giro Emergencial e R$ 9,023 bilhões para operações de Giro Diversificação. Além disso, destinou apenas R$ 348 milhões à aquisição de bens de capital e a investimentos produtivos.
No caso da modalidade Giro Diversificação, as empresas assumiram o compromisso de direcionar exportações para mercados diferentes dos Estados Unidos. Desse modo, reduzindo a dependência do mercado norte-americano diante do aumento das tarifas.
Além disso, os contratos firmados pelo programa preveem cláusulas de manutenção ou ampliação do nível de emprego nas empresas beneficiadas.
O programa atendeu empresas de todos os portes. As micro, pequenas e médias empresas responderam por 982 operações, no valor de R$ 6,275 bilhões, enquanto as grandes empresas concentraram R$ 13,309 bilhões, distribuídos em 404 operações.
Reação aos impactos do tarifaço
O governo criou o Plano Brasil Soberano após editar a Medida Provisória nº 1.309, em agosto de 2025, que autorizou o uso de recursos do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) para financiar empresas exportadoras afetadas pelo aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Segundo o relatório, um estudo realizado pelo próprio BNDES estimou que o tarifaço poderia provocar redução de R$ 46 bilhões nas exportações brasileiras. Além de um impacto indireto de R$ 47,4 bilhões na cadeia de fornecedores. No total, o efeito econômico poderia alcançar R$ 93,4 bilhões, colocando cerca de 340 mil empregos em risco.
Ainda de acordo com o banco, os estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste foram os mais afetados pelas barreiras comerciais. Especialmente os produtores de madeira, móveis, couro, calçados, máquinas e equipamentos, motivo pelo qual concentraram grande parte das operações de crédito.
Novo Brasil Soberano
O governo apresentou o balanço das fases anteriores junto com a nova edição do programa.
O governo federal anunciou (22) o lançamento do Plano Brasil Soberano III, que prevê R$ 18,5 bilhões em novas linhas de crédito para empresas afetadas pelas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. Além de setores considerados estratégicos para a economia brasileira. O governo apresentou o pacote durante cerimônia no Palácio do Planalto. Onde também sancionou a lei que transforma em definitivo as medidas do Brasil Soberano II.
Por fim, do total de recursos previstos, R$ 13,5 bilhões virão do Tesouro Nacional. Por meio da realocação de recursos não utilizados em linhas anteriores, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aportará R$ 5 bilhões e operará esses recursos.
Fonte: r7




