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Com notas acima da média global, o turismo consolida-se como o maior trunfo para a reputação do Brasil, mas especialistas cobram planejamento de longo prazo para o setor brasileiro. Foto: Reprodução/Gemini

Turismo brasileiro é o principal trunfo para a reputação do Brasil no exterior, aponta pesquisa

 Pesquisa Marca Brasil da OnStrategy aponta o turismo brasileiro como pilar estratégico para elevar a reputação e a percepção de valor do país no mercado internacional

O turismo brasileiro é o “principal motor” de reputação e imagem do Brasil, segundo Pedro Tavares, fundador da OnStrategy.

A pesquisa Marca Brasil da consultoria portuguesa mostra como o setor é um dos principais impulsionadores da percepção sobre o país aqui e no exterior.

O levantamento é o maior já produzido sobre a reputação do Brasil. A OnStrategy entrevistou, de forma online, 192.400 brasileiros e 278.200 estrangeiros.  Sobretudo, entre cidadãos, executivos de empresas, jornalistas, influenciadores e autoridades — no período de outubro de 2025 a março de 2026.

Com métricas que vão de 0 a 10, o Brasil como um todo colhe notas de imagem e reputação 6,9 com o público interno e 6,3 com o externo. Mas o turismo em específico pontua melhor: 7,7 e 7,1, respectivamente.

Os entrevistados avaliam ainda melhor a qualidade de produtos e serviços e a exposição e relevância internacional do setor: o primeiro quesito recebe notas 8 e 7,7. Enquanto o segundo alcança 8,5 e 8,2.

Desse modo, nota-se como o potencial turístico do Brasil é um trunfo para sua reputação externa. Contudo, ainda há espaço para evoluir, segundo especialistas ouvidos pela reportagem.

Potencial turístico ainda subaproveitado, mas estratégico para o desenvolvimento econômico

“O Brasil tem um potencial turístico extraordinário, ainda subaproveitado diante da dimensão do seu território, da diversidade cultural, ambiental, gastronômica e da força da nossa hospitalidade. É uma cadeia produtiva complexa, que envolve hospedagem, alimentação, transporte, eventos, comércio, serviços, cultura e qualificação”, segundo Alexandre Sampaio, diretor do Cetur (Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade) da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

“No Sistema Comércio (CNC, Fecomercio/ Sesc/ Senac/ FBHA) sempre defendemos que o turismo deve ser tratado como uma nova fronteira de desenvolvimento econômico do país. É um setor capaz de gerar emprego com rapidez, interiorizar renda e fortalecer pequenos e médios negócios. A própria estrutura do Cetur/CNC foi pensada para reunir as diferentes atividades produtivas do turismo e dar mais densidade às propostas do setor.”

Sampaio defende que o Brasil precisa apostar em frentes objetivas para desenvolver o setor, sendo elas:

  • Infraestrutura;
  • Conectividade aérea;
  • Segurança jurídica;
  • Qualificação de mão de obra;
  • Promoção internacional contínua;
  • Fortalecimento dos destinos regionais;
  • Uso de dados para orientar políticas públicas de longo prazo.

“Não se faz turismo competitivo apenas com vocação natural; é preciso planejamento, governança e ambiente de negócios adequado”, pontua o diretor do Cetur.

Edson Pinto, diretor-executivo da Fhoresp (Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo), ressalta que é preciso “aprender a ter um planejamento turístico mais eficiente, mais efetivo”.

“Planejamento é, obrigatoriamente, de longo prazo. Aqui temos um problema, de que ele não dura o mandato político de quatro anos, como no caso dos governantes e seus representantes eleitos”, indica o diretor-executivo do Fhoresp.

“O país precisa tratar o Turismo como uma política pública de desenvolvimento. Assim como foi feito em vários outros países no mundo, em que o segmento passou a ser uma das principais fontes de receita econômica”, acrescenta.

A pesquisa da OnStrategy defende que, para reforçar a percepção do público interno, o país deve trabalhar a Marca Brasil separadamente dos ciclos políticos.

Ao trabalhar uma estratégia desse modo, Pedro Tavares indica que o esforço da imagem possa ter “continuidade no tempo e que possa ser também alvo de reflexão para todos os agentes de mercado”.

Brasil ainda não oferece um bom estilo de vida e segurança às pessoas

Na perspectiva externa, a OnStrategy aponta que o Brasil deve melhorar no quesito estilo de vida e segurança para aprimorar seus níveis de admiração e confiança.

“Segurança sempre é pauta, numa pesquisa que fizemos em torno do carnaval 32% tinham uma percepção muito negativa do que iam encontrar no Rio de Janeiro sobre problema de segurança, mas 66% saíram com uma percepção muito positiva e 6% seguiram insatisfeitos”, segundo Otavio Leite, consultor da presidência da FecomercioRJ (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro) e doutor em Turismo.

Leite afirma que a promoção da informação é outro item que precisa ser trabalhado na comunicação sobre os nossos destinos turísticos.

“Um turista que volta com percepção negativa finda por disseminar nos comentários junto a parentes, amigos, etc, imagens negativas do local visitado. É preciso ter cautela e aperfeiçoar as estruturas policiais que trabalham no setor”, pontua Leite.

Entrevistas internacionais da pesquisa Marca Brasil

A pesquisa realizou entrevistas internacionais com cidadãos do México, Argentina, EUA, Canadá, China, Japão, Índia, Emirados Árabes, África do Sul, Angola, Moçambique, Rússia, Reino Unido, Suíça, Alemanha, França, Itália, Espanha, Polônia, Holanda, Grécia, Bélgica, Portugal, Suécia, Áustria e Dinamarca.

Por fim, fundada em 2009 e sediada em Lisboa, a OnStrategy é uma consultora multidisciplinar de brand value management. Focada na criação, construção e otimização do valor econômico e financeiro de negócios e marcas.

Fonte: cnn