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O novo tarifaço imposto pelos EUA atingirá 18% das exportações brasileiras. Confira quais setores serão taxados e quais produtos foram isentos pela medida. Foto: André Kasczeszen/APPA

Governo calcula que tarifaço atinge 18% das exportações brasileiras aos EUA

Tarifaço dos EUA impacta 18% das exportações brasileiras a partir de 22 de julho

O novo tarifaço dos Estados Unidos (EUA) deve atingir 18% das exportações brasileiras ao país norte-americano, afirmou (16) o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa.

Segundo os cálculos da pasta, 57% da pauta exportadora aos EUA é mantida isenta. Os cerca de 24% restantes são afetados por outro regime tarifário, ligado a uma investigação sobre as vendas de aço e alumínio para o país.

Novo tarifaço de Trump

O presidente dos EUA, Donald Trump, acatou recomendação do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) e, sendo assim, decidiu impor uma alíquota adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros.

O novo tarifaço é oriundo de uma investigação do USTR que vinha se desenvolvendo desde que Trump anunciou a primeira tarifa de 50% contra o Brasil, em julho de 2025.

No começo de junho deste ano, o Representante Comercial dos Estados Unidos propôs a imposição de novas tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana — ferramenta de política comercial que permite aos EUA investigarem e retaliarem outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas.

O USTR determinou que políticas do governo brasileiro sobre comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes e pirataria, etanol e desmatamento ilegal geram insegurança jurídica e competição desleal aos players dos EUA.

Segundo as autoridades dos EUA, a ação de tarifar o Brasil visa eliminar as práticas desleais de comércio investigadas.

O governo norte-americano informou que a nova tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros entrará em vigor no dia 22 de julho, às 00h01, horário da Costa Leste dos EUA (01h01, em Brasília).

No entanto, produtos que já estiverem embarcados antes de 22 de julho poderão ficar livres da sobretaxa, desde que ingressem nos Estados Unidos até 29 de julho.

Produtos isentos

Contudo, os EUA pouparam da alíquota de 25% mais de 1,6 mil “códigos tarifários”. O governo Trump avalia que os itens isentos pela nova cobrança são considerados sensíveis para a economia norte-americana.

Os produtos que não sofrerão com as novas tarifas se enquadram em ao menos um de quatro critérios:

Matérias-primas cuja tarifação poderia causar desabastecimento interno;

Itens capazes de provocar crises em toda a economia;

Bens que os EUA não produzem em quantidade ou preço razoáveis, nem conseguem obter de outras origens;

Produtos cuja tarifação pouco contribuiria para os objetivos da investigação.

Veja os principais grupos isentos da nova cobrança:

  • Carne bovina — em todas as formas: carcaças, cortes com e sem osso, frescos, resfriados e congelados;
  • Café — grão verde (não torrado), torrado e o café solúvel (instantâneo);
  • Laranja e suco de laranja — suco congelado e não congelado, além da fruta fresca e da polpa;
  • Pescados — atum (rabilho e bigeye), cavala, espadarte, tilápia (inteira e em filé) e lagosta;
  • Castanhas — castanha-do-pará e castanha de caju;
  • Algumas frutas tropicais — manga, mamão e goiaba (frescas, secas, congeladas e em polpa), além de preparações de açaí;
  • Pimenta-do-reino;
  • Mel orgânico certificado;
  • Petróleo bruto e gás natural;
  • Minérios estratégicos:

  • minério de ferro, de manganês, de estanho, de titânio e concentrados de nióbio e tântalo, além de grafita natural e silício;
  • Ferroligas e metais — ferronióbio e demais ferroligas, ferro-gusa, estanho e sucata de ferro e aço;
  • Fármacos e insumos farmacêuticos — uma série de compostos isentos especificamente quando destinados a aplicações farmacêuticas;
  • Aeronaves civis — aviões (que não militares), motores, peças, componentes e simuladores de voo;
  • Certos produtos de madeira;
  • Antiguidades, obras de arte e itens de coleção.

Já entre os principais itens que estarão sujeitos à nova cobrança estão:

Etanol;

Máquinas agrícolas;

Vestuário;

Máquinas elétricas;

Calçados;

Ferramentas de jardinagem;

Equipamentos relacionados à mineração;

Papel;

Aço;

Açúcar orgânico;

Diversos produtos agrícolas;

Produtos manufaturados em geral.

Fonte: cnn