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Eleições deste ano vão mexer em 2/3 das cadeiras e projeções apontam para um Senado mais forte da direita a partir de 2027. Foto: Marcos Oliveira/agência senado

Tendências apontam para um Senado mais de direita a partir de 2027, dizem especialistas

Renovação aponta avanço da direita no Senado a partir de 2027, com força de partidos como PL e PP

As eleições deste ano vão mexer na composição do Senado, com a renovação de 2/3 das cadeiras. Especialistas apontam que a tendência é que, a partir de 2027, a Casa do Senado conte com mais senadores alinhados ideologicamente à direita do que à esquerda.

De acordo com pesquisas eleitorais mais recentes, o PL, que é hoje o maior partido da Casa e tem candidatos em 25 das 27 unidades federativas — com exceção de Alagoas e Amapá —, lidera as disputas em pelo menos oito estados para uma das vagas no Senado.

Outros partidos, como Novo, PP e Republicanos, completam a lista de legendas que podem ajudar a formar um Senado de maioria à direita. Projeções mais otimistas para esses partidos falam em 26 eleitos, contra 14 de siglas de esquerda.

Ainda é preciso levar em conta os senadores que permanecem. Dos 27 senadores que continuam o mandato até 2030, oito são do PL, cinco do União, quatro do PT e três do PP.

Segundo o cientista político Leandro Gabiatti, de fato, o cenário que se desenha indica que partidos de direita, centro-direita e centro sejam maioria, mas as articulações políticas dependerão do presidente eleito.

Alianças entre partidos

Ele explica que é comum que as siglas somem forças com bancadas governistas para aprovar medidas ou barrar iniciativas que são contra os interesses do governo.

“Partidos de centro, inclusive até de centro-direita, poderão fazer algum tipo de composição junto com partidos de esquerda, neste caso o PT principalmente, e conseguir um número ou formar uma maioria própria”, explica Gabiatti.

Partidos de centro, como MDB, também têm altas chances de conquistar muitas vagas nessas eleições. O cientista político Bruno Soller, no entanto, aposta que o Centrão deve ser mais independente.

“Sem buscar protagonismo no Executivo, esse conglomerado político pragmaticamente se contenta em dominar o jogo legislativo, sendo fiador da balança nas relações entre os poderes da República”, analisa.

Impeachment de ministros

Uma das apostas dos senadores é alcançar número suficiente de votos para derrubar ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

Em 2025 e 2026, o Senado recebeu 57 pedidos de impeachment de ministros, a maioria contra Alexandre de Moraes, que não tiveram andamento.

Apesar do clima favorável para o avanço desses processos, Gabiatti diz que ainda é cedo para avaliar se haverá uma maioria para votar eventuais pedidos de afastamento.

“Muitos dizem que os votos que a direita, centro-direita e centro podem ter, eventualmente, conseguem construir essa maioria para avançar na cassação de um ministro. No entanto, acho que não se trata só de um número, mas de qual presidente vai ser eleito, de quem vai presidir o Senado, de qual maioria se formará”, avalia o cientista político.

Rito

A Constituição não especifica o impeachment de ministros do STF. Mas diz que cabe ao Senado processar e julgar os membros da Corte em casos de crimes de responsabilidade. O processo do julgamento segue o mesmo rito de impeachment de presidente da República.

O processo começa com o presidente do Senado, que decide se vai despachar os pedidos à Advocacia da Casa, responsável por avaliar tecnicamente a proposta. Se for aceita, os senadores devem votar para abrir ou não o processo, com quórum mínimo de 2/3. Caso seja aprovada, a comissão especial recebe a denúncia e, depois, encaminha o caso ao plenário.

No fim do ano passado, o ministro Gilmar Mendes decidiu aumentar o quórum necessário para abrir um processo contra ministros. Que até então poderia começar com maioria simples.

Na decisão, Gilmar Mendes também estabeleceu que não é possível instaurar processo de impeachment contra os magistrados com base apenas no mérito de suas decisões. A mudança aguarda julgamento do plenário do STF.

Fonte: r7