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Com foco na otimização de portfólio, a Raízen vendeu a usina de Caarapó para a Adecoagro por R$ 760 milhões, reforçando seu caixa durante a reestruturação. Foto: Divulgação/Cava Engenharia

Raízen vende usina de Caarapó por R$ 760 milhões à Adecoagro

Raízen vende usina de Caarapó para a Adecoagro por R$ 760 milhões em meio à reestruturação de dívidas

Em recuperação extrajudicial, a Raízen anunciou a venda da Usina Caarapó, em Mato Grosso do Sul, para a Adecoagro Vale do Ivinhema por cerca de R$ 760 milhões.

O que aconteceu

A Raízen anunciou venda de usina por R$ 760 milhões. A produtora de açúcar e álcool e dona da rede de postos de combustíveis, controlada pela Cosan e pela Shell, anunciou (20) a venda da Usina Caarapó, localizada em Caarapó (MS), para a Adecoagro Vale do Ivinhema.

Transação inclui unidade industrial. A Raízen está vendendo ainda a cessão de cana-de-açúcar própria e os contratos de fornecimento vinculados à usina, que processou cerca de 3,5 milhões de toneladas de cana na safra 2025/26.

O pagamento será realizado à vista na conclusão do negócio, sujeito aos ajustes usuais previstos para transações desse tipo. Em comunicado ao mercado, a Raízen afirmou que a venda está alinhada à sua estratégia de otimização do portfólio de ativos. Simplificação das operações e, além disso, captura de ganhos de eficiência, com foco na melhoria da rentabilidade do negócio agroindustrial.

Após a operação, a companhia passará a operar um portfólio de 23 usinas. A capacidade instalada de moagem da Raízen será de aproximadamente 69 milhões de toneladas de cana por safra.

Fechamento da transação ainda depende da aprovação do Cade. Além do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o acordo depende do cumprimento de outras condições precedentes previstas nos contratos firmados entre as partes. Ademais, a empresa informou que manterá o mercado atualizado sobre eventuais desdobramentos relevantes do negócio.

Visão do Mercado: Citi avalia impacto limitado na alavancagem apesar da simplificação operacional

Citi vê a entrada de recursos como positiva, por contribuir para a simplificação de operações e otimização do portfólio. Em relatório, os analistas Gabriel Barra e Pedro Gama apontam, entretanto, que a venda não é suficiente para promover uma desalavancagem relevante ou resolver desafios na estrutura de capital da companhia.

Raízen está em processo de recuperação extrajudicial aceito pela Justiça. A empresa de energia, açúcar e álcool e distribuidora de combustíveis, controlada pela brasileira Cosan e pela britânica Shell, anunciou acordo de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas de R$ 65,1 bilhões. O processo inclui compromissos com bancos e investidores que detêm títulos da companhia. Por outro lado, fornecedores, funcionários e outros pagamentos operacionais seguem normais.

Direção da Raízen tem vendido ativos para reforçar caixa e reduzir endividamento. Desse modo, a empresa vendeu negócios da Argentina por US$ 1,42 bilhão. Pelo acordo, a joint venture entre a Cosan e a Shell transfere as operações de downstream na Argentina para empresas controladas pela Mercuria Energy Group.

A empresa vai seguir vendendo ativos para reforçar caixa, diz presidente. Em teleconferência de resultados, o CEO da empresa, Nelson Gomes, disse que a política de desinvestimentos continua sendo parte da estratégia para fortalecer o caixa e a eficiência.

Em conclusão, após crise na Raízen, Moody’s rebaixa nota da Cosan e mantém pessimismo. Moody’s citou a fraca cobertura de juros da holding e a dependência da venda de ativos para reduzir a dívida. “O rebaixamento dos ratings da Cosan para B1 reflete a fraca cobertura de juros no nível da holding e a continuidade da dependência da monetização de ativos”, afirmou a agência.

Fonte: uol