Instalação de caldeira de 300 toneladas marca nova etapa na obra da fábrica de celulose em Inocência, prevista para operar em 2027
A obra da fábrica de celulose da Arauco em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul, passou de 70% de execução. Desde a pedra fundamental, em abril de 2025, o canteiro mobilizou cerca de 14 mil trabalhadores, um contingente 67% maior que a população da cidade, estimada em 8,4 mil habitantes.
O investimento é de US$ 4,6 bilhões, cerca de R$ 25 bilhões pelo câmbio adotado pela empresa. A planta ocupa uma área de 3.500 hectares a cerca de 50 quilômetros do centro de Inocência e deve entrar em operação no fim de 2027, com capacidade para 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano.
O efeito da obra se espalhou pela cidade. Transporte, alimentação, hospedagem, segurança e fornecimento de materiais passaram a atender uma demanda maior que a do próprio município.
Um milhão de horas dá menos de nove dias por trabalhador
A Arauco divulgou a marca de 1 milhão de horas trabalhadas no canteiro, registrada em foto aérea com funcionários formando a sigla HHT, de homem-hora trabalhada. Dividido pelo efetivo já mobilizado, o número dá 71 horas por trabalhador, menos de nove dias de jornada de oito horas, em uma obra aberta há 16 meses.
O balão de 300 toneladas já está na caldeira
Um dos marcos da obra foi o transporte do balão da caldeira, fabricado na China, para o canteiro. A instalação já ocorreu. A caldeira vai produzir mais de 2.400 toneladas de vapor por hora. Além disso, a fábrica terá mais de 400 MW de potência elétrica, e a Arauco informou que metade dessa energia será enviada ao sistema elétrico nacional.
Quase cem vagões de celulose por dia
A logística de escoamento é a parte do projeto que mais avançou fora do canteiro. A Arauco constrói uma ferrovia própria para ligar a fábrica à Malha Norte. Ademais, o material atual informa 54 quilômetros de extensão.
A operação prevista tem 26 locomotivas. Sobre os vagões, o material fala em cerca de mil, sem separar os tipos.
Cada vagão leva 98 toneladas de carga líquida. Para escoar 3,5 milhões de toneladas por ano, a fábrica precisará encher cerca de 35,7 mil vagões, quase cem por dia, todos os dias do ano. Sendo assim, a celulose deverá percorrer aproximadamente 1.050 quilômetros até o Porto de Santos, onde a Arauco assumiu o controle de um terminal de uso privado na região da Alemoa, com autorização da Antaq em março.
A celulose que já pesa na pauta de MS
A produção de Inocência vai entrar em uma pauta exportadora que a celulose já ocupa em segundo lugar. No primeiro semestre de 2026, o produto respondeu por 25,3% do valor exportado pelo agronegócio sul-mato-grossense. À frente da carne bovina, com 20,6%, e atrás da soja. No mesmo período, a receita da celulose caiu 16,6% enquanto a da carne subiu 47,9%.
Fonte: Arauco





