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Debate sobre internet grátis na eleição divide opiniões entre o combate à desigualdade de acesso e a capacidade técnica das operadoras. Foto: Nascimento Jr/Pexels

Internet grátis no dia da eleição pode derrubar rede móvel, alerta Anatel

STF avalia pedido de partidos para garantir acesso à internet grátis durante a eleição, mas agência reguladora alerta sobre riscos técnicos

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) alertou o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre os riscos de liberar internet grátis em 4 de outubro, dia do primeiro turno da eleição. Segundo o órgão, o acesso irrestrito à internet móvel durante o período eleitoral pode provocar picos de tráfego. E, além disso, interromper a conectividade em celulares, especialmente nas proximidades das zonas eleitorais.

STF questionou Anatel sobre tema

  • A manifestação da Anatel ocorreu após solicitação (24) do ministro Zanin.
  • O magistrado deu 48 horas para a agência se manifestar sobre um pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e do Partido Verde (PV).
  • As entidades pedem que a internet móvel seja liberada em todo o país nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores a cada turno de votação.
  • O argumento é que as franquias pré-pagas criam desigualdade no acesso à informação entre as camadas mais pobres da população.
  • Quando o crédito se esgota, a velocidade da internet é drasticamente reduzida, ficando liberado apenas o tráfego em aplicativos patrocinados por empresas, como serviços de mensagens.
  • Para os autores da ação, essa limitação favorece a desinformação nos dias que antecedem o pleito. Já que os eleitores não conseguem checar eventuais notícias falsas em fontes idôneas na internet.

Risco de colapso da internet

Em sua manifestação, a Anatel contestou os argumentos apresentados. A agência afirmou que o combate às chamadas fake news envolve desafios sociais e regulatórios que não passam pela questão da conectividade móvel. O órgão ainda citou pesquisa própria, realizada em 2025, segundo a qual 70% dos usuários de franquias móveis pré-pagas acessam a internet por conexões Wi-Fi fixas. Em casa ou na rua. Justamente para não consumir a franquia.

A Agência Nacional de Telecomunicações também destacou que, enquanto as conexões fixas usam, em geral, cabos e permitem ampliar a capacidade sem limite, as conexões móveis dependem de um espectro limitado de transmissão eletromagnética pelo ar. Com base nisso, alertou que liberar o tráfego em datas específicas pode levar os consumidores a intensificar exponencialmente o consumo naqueles dias. Antecipando downloads e streamings, com congestionamento e queda de sinal como consequência provável.