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Dados do Banco Central, divulgados ontem (1), mostram que a inadimplência no crédito rural voltou a se aproximar de um recorde em maio. Foto: Freepik

Inadimplência no crédito rural volta a se aproximar de recorde

Inadimplência no crédito rural chega a 7,6% para pessoas físicas e se aproxima de recorde; entenda os números

Em maio, a inadimplência do crédito rural para pessoas físicas cresceu levemente e chegou a 7,6%, voltando a se aproximar de recorde, segundo os dados que o Banco Central divulgou (1). Na comparação com maio de 2025, quando estava em 1,6%, o nível de endividamento desse universo de produtores cresceu quase cinco vezes.

A inadimplência das pessoas físicas estava em 7,5% em abril, e, dois meses antes, havia batido recorde ao chegar a 7,7%, segundo as informações atualizadas da Estatísticas Monetárias e de Crédito do BC. O índice que mede atrasos acima de 90 dias no pagamento das operações no sistema financeiro a taxas de mercado foi de 13,4% em maio. Repetindo o resultado de abril. Já nas taxas reguladas, a inadimplência subiu de 3,3% para 3,4% entre um mês e outro.

Entre as pessoas jurídicas, o nível de inadimplência segue controlado, em 0,8%, longe do pico, de 5,9%, de meados de 2019. Em maio de 2025, o percentual era de 0,5%. Por outro lado, em maio deste ano, o índice foi de 1% nas operações com taxas de mercado e de 0,5% nos empréstimos com taxas controladas.

Inadimplência no crédito rural volta a se aproximar de recorde

O saldo problemático do crédito rural também voltou a crescer em maio. Dados que o Banco Central atualizou ontem mostram que o montante de operações em atraso, inadimplentes, prorrogadas ou renegociadas, que era de R$ 188 bilhões, subiu para R$ 201,8 bilhões. Os valores correspondem a quase 23% da carteira ativa de financiamentos agropecuários nas instituições financeiras; em abril, a fatia era de 21%. O saldo de operações em “curso normal”, segundo a nomenclatura do BC, que era de R$ 707 bilhões em abril, caiu para R$ 686,9 bilhões no mês seguinte.

Operações prorrogadas impulsionam alta do saldo problemático

No conjunto do saldo problemático, cresceu, principalmente, o montante de operações prorrogadas. Que passou de R$ 28,5 bilhões para R$ 38,4 bilhões entre abril e maio. Nesse mesmo intervalo, as parcelas em atraso subiram de R$ 15 bilhões para R$ 18 bilhões.

O endividamento do campo tem sido motivo de cobrança sobre o governo e o Congresso. Nesta semana, produtores do Rio Grande do Sul fizeram novas manifestações e participaram de reuniões com parlamentares em Brasília para pressionar pela aprovação do projeto de lei 5.122/2023, que trata da renegociação das dívidas.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou (30) que vai apresentar nos próximos dias uma nova proposta para o programa Desenrola, de repactuação de dívidas, para o campo. O ministro voltou a dizer que o governo tem o compromisso de atender produtores que realmente estão com dificuldades.

Parlamentares ligados ao agro no Congresso defendem uma renegociação ampla, com uso de valores de fundos públicos. Segundo esses congressistas, essa opção não teria impacto direto sobre o orçamento nem comprometeria o arcabouço fiscal.

O assunto foi tema de discussão no colégio de líderes da Câmara dos Deputados nesta semana. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que o escopo do projeto 5.122/2023 ampliou-se após análise no Senado. Na versão inicial, a proposta tinha como foco apenas dívidas de produtores do Rio Grande do Sul. Onde quase 40% do crédito rural bancário está com problemas. Aos parlamentares, Motta afirmou que o relator da proposta, o deputado Afonso Hamm (PP-RS), vai construir um texto “combinado” com a presidência para a votação.

Governo, Congresso e setor produtivo buscam consenso sobre renegociação de dívidas rurais e impacto fiscal do projeto

Motta reuniu-se ontem com o ministro Dario Durigan para discutir o assunto. Eles agendaram um novo encontro para terça-feira (7), com a participação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), para buscarem consenso sobre a renegociação das dívidas.

A equipe econômica, no entanto, está cética sobre a possibilidade de um acordo. Fontes disseram ao Valor que não há espaço para encontrar alternativas para a renegociação das dívidas depois que o Senado aprovou o projeto, no fim de maio, com um texto mais amplo e sem a concordância da Fazenda.

Fonte: globo rural