Em meio à tensão política, STF dá início ao julgamento de recursos apresentados pelas big techs
O STF (Supremo Tribunal Federal) inicia nesta sexta-feira (29) o julgamento dos recursos apresentados pelas principais empresas de tecnologia, as chamadas big techs, contra a decisão da Corte que ampliou a responsabilização das plataformas digitais por conteúdos ilícitos publicados por usuários.
A análise ocorre em ambiente virtual e está prevista para ser concluída no dia 9 de junho.
Empresas como Google e Facebook (Meta) questionam pontos da tese fixada pelo tribunal em junho do ano passado. Quando o STF considerou parcialmente inconstitucional um artigo do Marco Civil da Internet.
Nos recursos, as big techs alegam a existência de omissões e obscuridades que geram insegurança jurídica. O Facebook solicita que a regra seja restrita a conteúdos “manifestamente” ilícitos e pede um prazo de seis meses para adaptação às novas obrigações de moderação.
O Google, por sua vez, demanda o estabelecimento de critérios rígidos para as notificações. Como a identificação do denunciante e, além disso, a indicação precisa do link sob suspeita.
Lula x Congresso
O julgamento no Judiciário coincide com mais um episódio de desgaste entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional.
Em reação às medidas adotadas do Executivo, parlamentares da oposição protocolaram ao menos 24 PDLs (Projetos de Decreto Legislativo) com o objetivo de anular as medidas.
A oposição acusa o governo de tentar implementar um sistema de controle de conteúdo nas redes sociais sem a aprovação do Poder Legislativo. No entanto, os projetos sobre a regulação das plataformas permanecem travados.
Por outro lado, governistas defendem que os decretos apenas regulamentam balizas já fixadas pela jurisprudência do STF. E reforçam a proteção dos usuários contra fraudes, crimes digitais e desinformação.
Juristas ouvidos pela CNN afirmam, contudo, que termos vagos na nova regulamentação podem induzir as empresas a uma remoção excessiva de publicações por medo de sanções. O que cria o risco de censura.
Por fim, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), já pediu que a consultoria jurídica da Casa analise se Lula extrapolou as prerrogativas do Executivo ao editar os decretos para avaliar se existe espaço para suspender os atos.
Fonte: cnn





