Governo de MS institui Grupo de Trabalho Especial com nove órgãos estaduais para enfrentar os impactos do Super El Niño
O Governo de Mato Grosso do Sul (MS) começa a se preparar para os impactos causados pelo Super El Niño, que vem ganhando força no país e começou a causar eventos climáticos na região. Por isso, foi instituído um Grupo de Trabalho que vai acompanhar os efeitos do fenômeno em todos os municípios do estado.
Conforme decreto publicado no Diário Oficial, os integrantes do grupo vão articular medidas necessárias à prevenção, mitigação, adaptação, preparação e dar respostas aos riscos decorrentes do El Niño.
Para isso, serão acompanhados indicadores relacionados à temperatura, precipitação, umidade relativa do ar, disponibilidade hídrica, focos de calor, incêndios florestais e outros parâmetros considerados relevantes.
O grupo será formado por 11 membros titulares, além de suplentes de cada um dos órgãos abaixo:
- Secretaria de Estado de Saúde (SES);
- Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (SEJUSP);
- Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (SEILOG);
- Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (IMASUL);
- Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS);
- Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS);
- Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (AGRAER);
- Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS);
- Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (ASSOMASUL).
Os integrantes do grupo vão atuar de forma conjunta com estruturas já montadas pelo governo para prevenção, monitoramento e resposta a incêndios florestais, desastres e eventos climáticos extremos.
Até o momento, o governo não divulgou os nomes dos integrantes do grupo, que deve atuar enquanto os efeitos do El Niño persistirem no estado.
Super El Niño
O fenômeno climático El Niño pode ser o mais forte dos últimos 40 anos, segundo alerta divulgado (21) pela Organização das Nações Unidas (ONU). A previsão, portanto, é de que o evento atinja seu pico entre o fim de 2026 e o início de 2027, aumentando o risco de secas, ondas de calor e chuvas intensas em diferentes partes do mundo.
A secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo, apresentou o alerta durante uma coletiva de imprensa em Genebra, na Suíça. Segundo ela, os efeitos do fenômeno poderão continuar sendo sentidos mesmo depois de sua fase mais intensa.
A previsão climática mais recente indica que a temperatura da superfície do Oceano Pacífico tropical pode ficar até 3,8°C acima da média entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
Com o aquecimento das águas, eventos climáticos extremos que já atingem diferentes regiões poderão se tornar mais frequentes e alcançar novas áreas.
El Niño pode aumentar risco de seca na Amazônia
No Brasil, uma das principais preocupações é a possibilidade de agravamento da estiagem na Amazônia. Segundo a ONU, partes da região amazônica, da América Central e do sul do Caribe apresentam maior risco de seca durante a intensificação do fenômeno.
O cenário preocupa especialmente porque a região já enfrenta problemas relacionados à falta de chuvas e aos incêndios florestais.
No Amazonas, pelo menos 41 municípios estão em situação de emergência, outros 16 em alerta e cinco em atenção. De acordo com boletim divulgado pelo governo estadual na terça-feira (20), 102.445 famílias já foram afetadas pela estiagem.
A fumaça das queimadas também prejudica a qualidade do ar em Manaus. A concentração de partículas finas chegou (18) a 94,4 microgramas por metro cúbico, índice considerado muito ruim pela Defesa Civil municipal.
O governo federal informou que pretende intensificar as ações de combate aos incêndios florestais e de enfrentamento aos efeitos da seca.
ONU alerta para consequências humanitárias
Além dos impactos ambientais, a ONU teme que a intensificação do El Niño agrave crises humanitárias em países que já enfrentam conflitos, insegurança alimentar e dificuldades econômicas.
O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, classificou o fenômeno como potencialmente devastador e, ademais, alertou para a possibilidade de consequências em grande escala.
Entre os principais riscos estão a redução da produção de alimentos, o aumento dos preços, o deslocamento de populações e o agravamento da fome em comunidades vulneráveis.
Como o El Niño afeta o clima?
O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento acima do normal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa mudança interfere na circulação atmosférica e, além disso, altera os padrões de chuva e temperatura em várias regiões do planeta.
Em conclusão, no Brasil, o fenômeno costuma favorecer temperaturas mais elevadas em grande parte do território, além de aumentar a possibilidade de estiagem em áreas do Norte e Nordeste e de chuvas intensas no Sul. Os efeitos variam conforme a intensidade do evento e outros fatores climáticos.
Fonte: Gov.MS



