Com foco no controle da inflação, governo injeta R$ 37,5 bilhões para estabilizar o preço dos combustíveis
O governo federal gastou cerca de R$ 37,5 bilhões neste ano em medidas para conter a alta no preço dos combustíveis, puxada pelo aumento do petróleo por conta da guerra no Oriente Médio. Com as políticas emergenciais, o Brasil teve uma das menores altas mundiais nos preços da gasolina e do diesel.
O que aconteceu
As medidas para conter a alta do preço dos combustíveis geraram R$ 37,5 bilhões em despesas ao longo deste ano. O MPO (Ministério do Planejamento e Orçamento) detalhou o valor, dividido entre subsídios diretos e isenções de impostos federais.
Cerca de R$ 25 bilhões são custeios de parte dos preços aos produtores e importadores de combustíveis; R$ 12,5 bilhões são cortes de impostos federais. O subsídio e a renúncia fiscal reduzem os custos elevados às empresas.
O objetivo é evitar repasses da alta do petróleo ao consumidor. Segundo o MPO, as ações evitam uma oscilação brusca nos preços e ajudam a controlar a inflação do país.
A legislação determina que as receitas extraordinárias da exploração de petróleo compensem as isenções fiscais. Sendo assim, o governo deve compensar o corte de tributos da gasolina com o ganho extra gerado pela própria alta do preço internacional do barril.
A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Biocombustíveis e Gás Natural) fiscaliza o cumprimento das medidas. Portanto, as empresas que aderirem ao subsídio devem comprovar o alívio nos preços de revenda.
As exportações de petróleo cru foram taxadas em 12%. O objetivo é impedir o desabastecimento do mercado interno e, além disso, garantir que as políticas emergenciais tenham efeito positivo direto aos consumidores brasileiros.
O governo destaca que as medidas respeitam as regras fiscais vigentes. “Não há um real sequer que não seja incluído no relatório bimestral e que não afete a meta de resultado primário”, afirmou o ministro do Planejamento, Bruno Moretti.
Como a guerra no Oriente Médio afeta o Brasil
O conflito entre EUA e Irã, iniciado em 28 de fevereiro, restringiu a passagem de navios no Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Como resposta aos bombardeios dos Estados Unidos, o Irã dificultou a passagem de cargas pela rota, o que encareceu o petróleo e, consequentemente, encarece os combustíveis.
O barril do petróleo tipo Brent ultrapassou US$ 100 no mercado internacional. Antes da guerra, custava cerca de US$ 72. Isso pressionou economias do mundo todo, já que o petróleo é usado em diversas cadeias centrais da economia, como transporte e produção industrial. Para conter o potencial de inflação da crise, muitos países elevaram taxas de juros e redirecionaram investimentos.
O Brasil importa cerca de 25% do diesel que consome, o que gera riscos de desabastecimento. A paralisia de diversas refinarias no exterior motivou as ações do governo federal.
Por fim, com as políticas emergenciais, o país sofreu um dos menores aumentos de preços de diesel e gasolina do mundo. Um levantamento do site GlobalPetrolPrices.com mostra que, entre fevereiro e setembro de 2026, a gasolina teve alta de 3,3% no Brasil, contra um aumento médio de 20,8% no mundo. Por outro lado, o preço do diesel avançou 7,3% no país, ante 30% na média global.
Fonte: uol





