No momento, você está visualizando Economia prateada deve dobrar no Brasil em 20 anos, aponta estudo
Estudo da data8 aponta expansão da economia prateada no Brasil, refletindo mudanças no consumo dos brasileiros acima de 50 anos. Foto: iStock

Economia prateada deve dobrar no Brasil em 20 anos, aponta estudo

Com potencial de R$ 3,8 trilhões, a economia prateada se consolida como pilar estratégico para o Brasil

A economia prateada no Brasil deve dobrar em 20 anos e chegar a R$ 3,8 trilhões até 2044, segundo um estudo do data8. Em 2024, o consumo da população com mais de 50 anos representou R$ 1,8 trilhão, equivalente a 24% do consumo privado total dos domicílios brasileiros. A projeção é que essa participação avance para 35% nas próximas duas décadas.

O levantamento faz parte da série Brasil Prateado, que reúne dados produzidos pelo data8 sobre longevidade e consumo da população madura. De acordo com o estudo, o Brasil tinha 59 milhões de pessoas com 50 anos ou mais em 2024. Até 2044, esse grupo deve representar 40% da população brasileira.

A pesquisa aponta que, apesar de ter um consumo per capita mensal 38% maior em comparação à população abaixo de 50 anos, o público prateado apresenta uma cesta menos diversificada. Os gastos se concentram principalmente em moradia, alimentação, transporte e saúde. Já a população mais jovem movimenta proporcionalmente mais setores como vestuário, educação, higiene e cuidados pessoais.

O estudo também mostra diferenças de consumo dentro do próprio grupo 50+. Entre pessoas com 80 anos ou mais, os gastos mensais com saúde são quase o dobro dos observados entre consumidores de 50 a 54 anos, ainda que o valor total de consumo mensal seja semelhante entre as faixas etárias. Com o avanço da idade, saúde e moradia passam a ter peso maior na cesta.

O tema será discutido na Plenária Pulsar, novo espaço desenvolvido para o Fórum E-Commerce Brasil 2026 para debater tendências do mercado.

Diferenças regionais marcam consumo dos 50+

O recorte regional evidencia que o envelhecimento no Brasil ocorre de formas distintas. No Norte e no Nordeste, o consumo per capita é menor e segue mais concentrado em alimentação, habitação e higiene e cuidados pessoais. Na média mensal, o estudo aponta R$ 322 em alimentação, R$ 304 em habitação e R$ 77 em higiene e cuidados pessoais nessas regiões.

No Sudeste, o maior destaque está em saúde, com consumo médio mensal de R$ 293 em produtos e serviços do setor. No Centro-Oeste, o maior consumo per capita aparece em transporte, com R$ 360 por mês, incluindo aquisição e manutenção de veículos, transporte urbano e viagens esporádicas. Por fim, no Sul, o setor de transportes também tem peso relevante, com R$ 328 mensais.

Saúde deve ganhar participação até 2034

A projeção para os próximos dez anos indica uma redistribuição da demanda entre setores. Em 2024, brasileiros com mais de 50 anos responderam por 35% do consumo de produtos e serviços de saúde, considerando as redes pública e privada. Em 2034, essa fatia deve chegar a 43%.

Enquanto saúde tende a ganhar peso na cesta de consumo da população brasileira, o estudo projeta queda na participação de educação. Segundo o data8, as mudanças decorrem do avanço demográfico da população madura e do impacto direto desse envelhecimento na demanda por produtos e serviços.

Por fim, a metodologia do levantamento combina análise de consumo familiar da PNAD e da POF, microdados por setor, consumo individual por adulto equivalente e recortes por gênero, raça, idade e renda. O estudo também utiliza projeções populacionais da ONU para estimar o tamanho do mercado total e setorial nos próximos anos.