Dourados decreta emergência em Saúde
O médico infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha, uma das maiores autoridades mundiais em doenças tropicais, elogiou a decisão do prefeito Marçal Filho em decretar emergência em saúde pública no município de Dourados em razão da epidemia de febre chikungunya que foi diagnosticada na Reserva Indígena e está avançando para os bairros. “Foi super correta a decisão do prefeito Marçal Filho em decretar a emergência antes do colapso da rede de saúde, ou seja, quando ainda existe tempo suficiente para evitar o caos na cidade”, enfatizou Rivaldo. “O que nós temos observado em algumas cidades do Brasil, é que a decretação da emergência em saúde pública acontece depois que a cidade está um caos, mas Dourados se antecipou e terá condições de evitar o pior”, completou o infectologista.
Rivaldo Venâncio da Cunha, que é professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e gestor da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), faz parte da Força Nacional do Sistema Único de Saúde que está em Dourados desde a semana passada para atuar no combate à epidemia de chikungunya na Reserva Indígena. “O prefeito agiu rápido. A decretação de emergência tem que ser justamente no sentido de evitar que a cidade entre em colapso na sua rede assistencial”, pontuou. “Parabéns, entendo que a decisão de sexta-feira foi mais que correta”, ressaltou.
Acesso a recursos para combater a epidemia
O prefeito Marçal Filho editou o decreto número 587, de 20 de março de 2026, para assegurar que o município tenha acesso a recursos do Ministério da Saúde para combater a epidemia de chikungunya em Dourados. O decreto autoriza a adoção de medidas de vigilância em saúde quando verificada situação de iminente perigo à saúde pública pela presença do mosquito transmissor de doenças. Durante conversa com o médico infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha, o prefeito falou sobre a decisão de decretar emergência no município. “Eu fiz o decreto de emergência, evidentemente, orientado pelo secretário municipal de Saúde, Marcio Figueiredo, e também do doutor Rodrigo Stábel, coordenador da Força Nacional do SUS, ouvindo quem entende, quem já tem experiência nessas epidemias, especialmente o doutor Rivaldo Venâncio”, explicou Marçal Filho.
Aedes aegypti
O prefeito destacou que o infectologista é altamente qualificado para enfrentar a epidemia que Dourados está vivendo. Em entrevista, sábado, na 94 FM, o médico falou sobre o surgimento dessa doença. “A chikungunya é uma doença causada por um vírus do mesmo nome, que chegou tem uns 12 anos mais ou menos, que começou a aparecer no Brasil. Ela é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que também transmite outras doenças como a dengue a o zika”, ressaltou. “Logo no final do primeiro ou segundo dia da doença começam as dores nas juntas, nas articulações, num processo inflamatório que muitas vezes limita a pessoa para fazer aquela atividade do dia a dia”, explicou.
Rivaldo Venâncio da Cunha ressaltou que a dengue, em geral, não deixa sequelas. Já a chikungunya é diferente. Em muitos casos, a doença deixa dor nas articulações. Além disso, os sintomas podem durar semanas. Em outras situações, persistem por meses. Em alguns pacientes, a dor chega a durar anos.
A transmissão ocorre pelo mosquito Aedes aegypti. Em princípio, mesmo um único mosquito é capaz de causar grande impacto. Em pouco tempo, entre um mês e meio e dois meses, ele pode infectar de 300 a 400 pessoas. Assim, o médico alertou para o processo muito intenso de transmissão.
Não chegaria a ser como a Covid‑19, que é uma transmissão respiratória. Todavia, trata‑se de uma disseminação igualmente intensa. Em conclusão, é necessário não subestimar o risco. Por fim, o infectologista lembrou que o mosquito fica essencialmente dentro das casas. Assim como, circula pelos quintais. Em suma, o caminho mais seguro é eliminar pontos de água parada.
É importante que cada morador ajude
O médico ressaltou que é importante que cada morador ajude. Além disso, é preciso colaborar com as autoridades sanitárias do município. Em primeiro lugar, todos devem cuidar dos seus espaços.
Principalmente, é necessário observar qualquer objeto que possa acumular água. Isso inclui o quintal, um pneu, uma lata. Da mesma forma, vale até a tampa de uma garrafa.
Por outro lado, é importante que a moradia seja bem cuidada. Em outras palavras, a população deve manter a limpeza adequada. Assim, haverá auxílio ao trabalho dos agentes de endemias. Além disso, colabora-se com a Secretaria Municipal de Saúde.
Nesse sentido, o apoio da Força Nacional do SUS também é essencial. Do mesmo modo, o Ministério da Saúde participa dessa ação conjunta. Em síntese, é necessário que todos atuem juntos. Desse modo, a saúde da população melhora. Em conclusão, o objetivo é reduzir o impacto que a chikungunya está causando.
Durante entrevista na 94 FM, o médico também alertou que algumas pessoas, por algumas características, têm um potencial maior de desenvolver as formas graves da chikungunya, sobretudo pessoas a partir dos 60, 65 anos de idade, ou menores de 2 anos de idade. “Pessoas que tenham diabetes, hipertensão arterial, são doenças crônicas que podem facilitar a progressão, o agravamento da chikungunya”, observou. “Pessoas que tenham problemas articulares, por exemplo, um atleta, um jogador de basquete durante muitos anos, de vôlei, ele seguramente tem algum desgaste nas suas articulações, e se tiver chikungunya, muito provavelmente essas dores serão muito mais intensas”, completou. “É importante que todas as pessoas tomem cuidado, em especial essas que têm uma possibilidade maior da gravidade”, finalizou Rivaldo Venâncio da Cunha.
Fonte: PM Dourados



