Alta de 2,9% nas vendas do Dia dos Pais em 2026 mostra resiliência do varejo brasileiro, apesar do endividamento das famílias
O Dia dos Pais deve movimentar R$ 8,52 bilhões no varejo brasileiro em 2026, segundo projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (a CNC). A estimativa representa avanço real de 2,9% frente a 2025, já descontada a inflação, e mantém a data como a quarta mais importante do calendário do comércio em movimentação financeira.
O que sustenta a expectativa é o impulso no consumo por conta do mercado de trabalho aquecido. A taxa de desocupação medida pela Pnad Contínua do IBGE ficou em 5,6% no trimestre encerrado em maio, o menor patamar para o período em 13 anos, enquanto a massa real de rendimentos, o total de salários em circulação dentro das famílias corrigido pela inflação, cresceu 5,0% na comparação anual. É esse dinheiro novo na mão do consumidor que a CNC aponta como motor das vendas em meio ao aperto do crédito.
Do outro lado da balança, o endividamento segura a vontade de comprar. A entidade calcula que 81,64% das famílias tinham dívidas a vencer e que 29,9% estavam com contas em atraso, perto do recorde histórico de 30,5%. Somados a juros ainda altos, esses fatores devem conter o ritmo das compras.
Entre os segmentos que mais devem vender, vestuário, calçados e acessórios lideram, com faturamento projetado de R$ 3,34 bilhões, seguidos por farmácia, perfumarias e cosméticos, com R$ 1,72 bilhão, e por utilidades domésticas e eletroeletrônicos, que somam R$ 1,31 bilhão. Juntos, os três respondem por quase 75% do total.
Os preços pesam no bolso do consumidor
O consumidor terá que pesquisar preços. A cesta de itens típicos da data tende a subir 5,8%, acima do índice geral de 5,0% projetado pela entidade.
As maiores altas ficam com computadores, que registram alta de 11,9%, depois os perfumes, com acréscimo de 9,8%, e livros, que subiram 7,8%.
Na contramão, aparelhos de som caíram 3,7%, televisores baixaram 0,8% e bebidas alcoólicas, com queda de 0,4%, devem ficar mais baratas que há um ano.
A sazonalidade também aquece a contratação. Desse modo, a CNC projeta 12,07 mil vagas temporárias no varejo para a data, recuo de 1,9% ante o recorde de 12,30 mil de 2025. A taxa de efetivação, parcela dos temporários que segue empregada depois do período, deve ficar em 14,8%, abaixo dos 19,6% do ano passado.
São Paulo fica perto da estabilidade
No maior mercado consumidor do país, a FecomercioSP projeta alta mais tímida: 0,7% em agosto no varejo do estado de São Paulo, o equivalente a R$ 567 milhões a mais que no mesmo mês de 2025.
Por fim, farmácias e perfumarias com +3,7% e lojas de roupas registram +1,7%, que puxam o resultado num movimento associado ao avanço do autocuidado masculino. Por outro lado, móveis e decoração têm -1,3% e eletroeletrônicos, com -0,8%, devem recuar, à medida que o consumidor evita novas dívidas.
Fonte: forbes



