De acordo com a tradição oral, a origem da lenda sobre o Dia do Beijo começou em 1882, na Itália
Mais do que um simples gesto de afeto, o beijo é uma das formas mais universais de expressão emocional entre as pessoas, carregando significados que variam entre culturas, épocas e relações. Seja em demonstrações de amor, amizade, respeito e até em rituais sociais, o ato de beijar atravessa gerações como símbolo de conexão humana. Ao longo do texto, descubra a origem do Dia do Beijo.
A data, que surgiu a partir de uma lenda, até mesmo inspirou uma manifestação política intitulada de “Noite do Beijo”.
DIA DO BEIJO: Saiba curiosidades e origem da data celebrada em 13 de abril
De acordo com a tradição oral, a origem da lenda sobre o Dia do Beijo começou em 1882, na Itália. Na época, um jovem chamado Enrico Porchelo era conhecido por sua reputação de beijar todas as mulheres do vilarejo onde vivia.
Diante disso, o padre da região resolveu anunciar um prêmio no dia 13 de abril em que a primeira mulher que surgisse afirmando nunca ter beijado Enrico seria a vencedora. Para surpresa geral, ninguém apareceu, reforçando ainda mais a fama do rapaz.
Desde então, permanece o mistério sobre o possível paradeiro desse prêmio pela Itália. Há quem tente encontrá-lo por meio de pesquisas, mas até hoje não se sabe se toda essa história não passa de uma grande invenção.
Noite do Beijo: conheça a manifestação política em torno do ato de beijar
Em 7 de fevereiro de 1981, em pleno período da Ditadura Militar, a cidade de Sorocaba, em São Paulo, foi palco de um ato conhecido como “Noite do Beijo”. A mobilização reuniu milhares de jovens como reação a uma portaria judicial que proibia manifestações de afeto em espaços públicos.
Vale destacar que, em meados da década de 80, o Dia do Beijo era comemorado como uma tática publicitária para vender produtos como batons e outros artigos femininos.
Segundo o g1, a origem do protesto veio da decisão do então juiz Manuel Moralles, que classificava determinados beijos como “atos obscenos” e vetava esse tipo de comportamento em praças.
No texto, ele detalhou que gestos como beijos no pescoço ou os chamados “cinematográficos” seriam considerados libidinosos. A medida provocou forte reação entre jovens, que passaram a enxergar a proibição como uma violação de direitos básicos.
Surpreendidos pela portaria, estudantes e jovens começaram a se organizar rapidamente, mesmo em um período de férias e carnaval, quando se esperava baixa adesão. O artista gráfico Carlos Baptistella foi um dos idealizadores que, em poucos dias, articulou a indignação, transformando-a em ação coletiva.
Passeata foi crescendo aos poucos
A passeata teve início com cerca de 300 participantes, mas ganhou força ao longo do trajeto, reunindo mais de 5 mil pessoas. O ato foi conduzido de forma pacífica e simbolizou a defesa da liberdade de expressão em meio ao contexto autoritário da época.
Entre os gritos entoados, destacava-se: “Mais beijo, mais pão, abaixo a repressão”. O ato ultrapassou a questão do beijo e se consolidou como uma manifestação mais ampla contra a censura e o autoritarismo.
Policiais à paisana acompanharam a manifestação e, após o evento, houve perseguição aos organizadores. A Noite do Beijo é um exemplo de como gestos simples, como o ato de beijar, podem adquirir grande significado em contextos de repressão.
Dia do Beijo: curiosidades sobre beijos no audiovisual
O primeiro beijo da TV brasileira ocorreu no capítulo final de “Sua Vida Me Pertence”, exibido em 15 de fevereiro de 1952, na TV Tupi. A cena foi protagonizada por Wálter Foster e Vida Alves, sendo ele também responsável pela autoria e direção da novela.
Em março de 2020, o pesquisador Fernando Morgado encontrou uma foto na revista O Cruzeiro, de 27 de maio de 1950, que indicaria um beijo anterior. A imagem mostrava o locutor Carlos Frias e a atriz Aimée Lemos, casados na vida real, como protagonistas.
Vida Alves, falecida em 4 de janeiro de 2017, também protagonizou outro marco importante na TV. Em 1963, no programa “Grande Teatro”, ela beijou a atriz Geórgia Gomide, em “A Calúnia”. A cena ficou conhecida como o primeiro beijo gay exibido nas novelas brasileiras.
O ato de beijar também virou tema da peça de teatro de Nelson Rodrigues, “O Beijo no Asfalto” de 1960, em que um bancário chamado Arandir beija um homem atropelado em seu último suspiro. A imprensa distorce o ato e expõe preconceitos sociais e análises sobre as consequências de um beijo.




