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Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, descarta novas eleições no país para impedir o retorno da oposição ao poder e anuncia leis mais duras. Foto: Leonardo Fernandez Vilori/Reuters

Daniel Ortega declara fim de eleições na Nicarágua

Em comemoração sandinista, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, decretou o fim das eleições no país, consolidando o regime e bloqueando o retorno da oposição ao poder

O presidente da NicaráguaDaniel Ortega, descartou (19) a possibilidade de realizar novas eleições no país. Em um movimento declarado para impedir que a oposição chegue ao poder. A declaração foi feita em Manágua, capital da Nicarágua, durante um ato em comemoração ao 47º aniversário da Revolução Sandinista. Há anos, opositores denunciam fraudes eleitorais e a falta de liberdades civis na Nicarágua.

O mandatário afirmou que os opositores estão “à espreita”, sendo que a maioria vive no exílio.

“Eles gostariam de vencer as eleições para lucrar com as escolas. Mas que esqueçam isso: aqui não haverá mais eleições, para que não tentem, por esse caminho, tomar o governo e o poder”, declarou Ortega.

Ortega, um ex-guerrilheiro de 80 anos que governa a Nicarágua desde 2007, anunciou que a Assembleia Nacional, controlada pelo governismo, trabalhará para aprovar “leis que ergam um muro, um bloqueio contra os golpistas e os traidores da pátria”. Ele acrescentou: “Por mais dinheiro que os ianques (Estados Unidos da América) lhes deem, eles não conseguirão”.

Reforma constitucional altera calendário eleitoral

A Nicarágua deveria realizar eleições gerais em novembro. Mas profundas reformas constitucionais — criticadas pela ONU (Organização das Nações Unidas), pela OEA (Organização dos Estados Americanos) e pela oposição — que entraram em vigor no início de 2025 ampliaram o mandato presidencial para seis anos. Com isso, em tese, as próximas eleições ocorreriam apenas em novembro de 2027.