Filme “Honestino”, estrelado por Bruno Gagliasso e dirigido por Aurélio Michiles, tem pré-estreia concorrida no Bonito CineSur e resgata a trajetória do líder estudantil
A segunda noite da 4ª edição do Bonito Cinesur – Festival de Cinema Sul-Americano foi marcada pela pré-estreia do filme “Honestino”, dirigido por Aurélio Michiles. Ao lado do protagonista Bruno Gagliasso, o cineasta compareceu ao Centro de Convenções da cidade de Bonito (25) para apresentar ao público o documentário que narra a história do desaparecimento de Honestino Guimarães, líder estudantil, ex-presidente da UNE e aluno da UnB.
Chegando aos cinemas de todo o Brasil em 13 de agosto, com distribuição da Pandora Filmes, a obra apresenta depoimentos de importantes nomes que se mesclam com a atuação de Gagliasso como o militante preso em 1973, aos 26 anos.
Misturando documentário e ficção, o filme reconstitui a trajetória do jovem por meio de cartas, poemas, imagens de arquivo e depoimentos de familiares, amigos, políticos e companheiros de militância, como Almino Afonso, Jorge Bodanzky, Franklin Martins e Betty Almeida, biógrafa do líder estudantil.
Preso em 1973, Honestino Guimarães nunca mais foi visto. Mesmo após o reconhecimento oficial de sua morte pelo Estado brasileiro, seu corpo jamais foi encontrado. Desse modo, sua história tornou-se um símbolo da luta pela memória, pela verdade e pela justiça em relação aos crimes cometidos durante a ditadura militar.
Memória, personalidade e legado do líder estudantil
O filme revisita documentos históricos e reúne diferentes vozes para revelar não apenas a importância política de Honestino, mas também aspectos de sua personalidade, seus afetos, sonhos e convicções. “Assim como eu tenho vontade de mudar o mundo, o Honestino também tinha. Eu acredito na democracia. Acredito na liberdade”, disse Gagliasso, que destacou ainda a importância de conhecermos nossa própria história: “Meu papel como ator é esse. É discutir. É trazer à tona o que de fato aconteceu no nosso país. Tentaram apagar a história desses meninos e não conseguiram. Porque mataram o corpo, mas não mataram o espírito. Tá todo mundo aqui falando sobre o Honestino Guimarães”.
O cineasta Aurélio Michiles completou: “Quando pensei em fazer um filme sobre o Honestino, quis fazer essa conexão entre o passado e o presente. Como se fosse uma coisa só e não uma nostalgia: ‘Ah, no meu tempo, naquele momento…’ Não. Ele está presente. Ele está aqui, agora. O monstro está vivo. E nós precisamos combatê-lo. E esse combate é do cotidiano, sabe? É do cotidiano dos intelectuais, do operariado, dos camponeses, dos empresários, das artes, da cultura, dos atores… enfim, todos. É um combate coletivo para impedir que a barbárie se imponha novamente”.
Produzido por Nilson Rodrigues, o longa propõe uma reflexão sobre memória, justiça e o legado de um dos casos mais emblemáticos da violência de Estado no Brasil.
Em conclusão, “Honestino” conquistou o Troféu Redentor de Melhor Montagem no Festival do Rio e também garantiu seleção para a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e para o DH Fest – Festival de Cultura em Direitos Humanos. No 20º Fest Aruanda, conquistou os prêmios de Melhor Longa Nacional pelo Júri Popular, Melhor Edição, o Prêmio Abraccine de Melhor Longa-Metragem e o Prêmio Vladimir Carvalho, concedido ao melhor documentário do festival.




